Segundo o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que o nome do ex-governador João Doria para à Presidência se torna "inviável". [fotografo]Valter Campanato/Agência Brasil[/fotografo]

RACHA TUCANO

Após reunião com a cúpula do PSDB na tarde desta terça-feira (17), em Brasília, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que o nome do ex-governador João Doria para à Presidência se torna “inviável” e defendeu que o partido continue as tratativas com o MDB para um projeto de “terceira via”. Os tucanos estiveram reunidos para destravar o impasse sobre a candidatura presidencial a ser lançada para as eleições de outubro.

“O que se espera é que, se candidatura se mostra inviável, o próprio candidato possa fazer uma reavaliação e permitir ao PSDB continuar apresentando ao Brasil um projeto. Continua-se conversando com o MDB, não se avança em entendimento sobre pesquisa (para a definição do nome), nada disso”, afirmou.

Neves também destacou que ainda defende que o partido tenha um nome próprio para as eleições.

“Eu defendo candidatura própria do PSDB e tenho expectativa ainda que, quem sabe num gesto de desprendimento e de grandeza, o próprio ex-governador João Doria possa construir essa saída, que é o sentimento majoritário da reunião de hoje”, disse,

Segundo ele, o ex-governador Doria tem duas opções: “Ele [João Doria] tem duas alternativas: o gesto de grandeza política de desistir de sua candidatura ou permanecer nesse enfrentamento”.

O deputado também informou que a ideia é convidar Doria para essa conversa já nesta quarta-feira, 18.

“Eu sugeri que possa ser feita o mais rapidamente possível uma reunião para que o candidato João Doria ouça dos seus companheiros de que sua candidatura traz prejuízos para o partido. Nós estamos dando a ele a oportunidade de construir a saída para esse processo”, disse Aécio.

O partido ainda deverá continuar as tratativas para a formação de uma aliança com o MDB, mas sem firmar um nome oficial a ser anunciado amanhã, em reunião.

“O que se espera é que, se a candidatura se mostra inviável, o próprio candidato possa fazer uma reavaliação e permitir ao PSDB continuar apresentando ao Brasil um projeto. Continua-se conversando com o MDB, não se avança em entendimento sobre pesquisa (para a definição do nome), nada disso”, afirmou.

Racha no partido

O clima dentro na cúpula do PSDB é descrito como “tenso” desde o último domingo (15), quando ex-governador de São Paulo João Doria encaminhou uma carta ao presidente da sigla, Bruno Araújo, subindo o tom e cobrando respeito ao resultado da eleição interna da legenda que o definiu como pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto. Nesta terça-feira (17), os tucanos têm um encontro marcado em Brasília para definir os rumos da legenda nestas eleições.

Ao Congresso em Foco, ex-deputado Marcus Pestana, pré-candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais, afirma que, caso a sigla retire a candidatura de Doria, o partido pode “rachar ao meio”.

“Caso não tenhamos candidatura própria, o PSDB, que sempre teve papel protagônico nas eleições presidenciais desde 1989, irá rachar ao meio, perder a identidade e o seu espaço na sociedade como referência política e ideológica para parcela da população. Virará mais um partido qualquer na atual sopa de letrinhas partidária”, disse.

Pelo acerto feito entre o PSDB, o MDB e o Cidadania, a definição de um nome único da terceira via se daria a partir da análise de pesquisas quantitativas e qualitativas. E essa é a resistência de Doria. Em pesquisas quantitativas, ele aparece à frente da pré-candidata do MDB, senadora Simone Tebet (MS). Mas pesquisas qualitativas apontariam que Simone tem perspectivas de crescimento por se apresentar como uma novidade no pleito, enquanto Doria é mais conhecido e enfrentaria maior rejeição. A desconfiança de que tal tipo de argumentação poderia resultar na perda de apoio a seu nome fez Doria reagir, ameaçando inclusive ir à justiça para que o resultado das prévias internas do PSDB, que ele ganhou, fossem respeitadas.