Ministro quer levar ao fórum mensagem de que país está empenhado em reformas e comércio exterior

Bernardo Caram
BRASÍLIA

Em viagem a Davos, na Suíça, que sedia o Fórum Econômico Mundial na próxima semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes, vai apresentar a reforma da Previdência, o plano de privatizações e a reforma administrativa como vitrines do novo governo.

O objetivo é mostrar a chefes de estado, investidores e representantes de organismos internacionais que o Brasil está empenhado em corrigir os rumos da economia e ampliar a participação no comércio internacional.

De acordo com integrantes do Ministério da Economia, Guedes apresentará um diagnóstico sobre as razões que levaram o Brasil a ficar preso por cerca de quatro décadas em uma armadilha de baixo crescimento.

Como solução, serão apresentados os três pilares que serão usados para uma “terraplanagem” da irregular trajetória da economia brasileira.

Um membro do governo que acompanha a formulação da reforma da Previdência afirma que o ministro tratará do tema em Davos “com algum detalhe”. A ideia de Guedes é usar o tempo da viagem para que o presidente Jair Bolsonaro tome conhecimento e bata o martelo sobre a proposta que vai endurecer regras da aposentadoria.

O segundo pilar a ser apresentado pelo ministro é a agenda de privatizações, concessões e venda de ativos imobiliários.

Por fim, Guedes quer que a comunidade internacional tome conhecimento da reforma administrativa adotada pelo país, com enxugamento da máquina pública, aumento da eficiência e redução do tamanho do Estado.

Nas reuniões, o ministro pretende apresentar metas para a economia brasileira. Ele quer, por exemplo, que os investimentos do Brasil em tecnologia e inovação, hoje em 1% do PIB (Produto Interno Bruto), dobrem até o fim do mandato de Bolsonaro.

Guedes também vai mostrar a intenção do Brasil de facilitar o comércio internacional e promover a abertura do país com uma redução da taxa média de importação. Com isso, quer aumentar a fatia do comércio exterior de 22% do PIB para 30% em 2022.

No discurso, deve se alinhar à posição apresentada por Bolsonaro, que defende a busca de relações comerciais com todos os países possíveis, deixando de lado o que chama de viés ideológico.

Guedes irá ao fórum, que acontece entre 22 e 25 deste mês, com Bolsonaro, os ministros da Justiça, Sérgio Moro, e de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Troyjo.

Em Davos, Guedes participará de sessões plenárias com líderes econômicos mundiais, além de encontros bilaterais.

Estão previstas reuniões com autoridades do FMI (Fundo Monetário Internacional), do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e da OMC (Organização Mundial do Comércio), além do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, e líderes empresariais.

Folha de S.Paulo