A coluna Semana Vermelho (21 a 27) destaca que Bolsonaro adotou uma postura quieta diante do avanço das investigações envolvendo familiares, amigos, empresários e blogueiros que defendem o seu governo

(Foto: Carolina Antunes/PR)

Bolsonaro parece ter se aquietado ante investigações que podem comprometer seu governo – Na semana de São João e São Pedro, o capitão presidente parece ter se aquietado. Nada indica que seja por um acesso de bom senso democrático, mas, pode se pensar, por cautela. Acumulam-se nos tribunais superiores investigações que o envolvem, e a parlamentares e empresários próximos a ele, por financiamento irregular e ilegal, no inquérito das fake news, que ameaça, no TSE, a chapa Bolsonaro-Mourão, vencedora da eleição presidencial de 2018. Para piorar o cerco ao presidente, prossegue a investigação de parlamentares e empresários que pagaram os atos golpistas contra o Congresso Nacional e o STF. O cerco levou o “gabinete do ódio” a apagar 3.127 vídeos criminosos com fake news ou ameaças à democracia. Pode-se pensar também que Bolsonaro reage à forte queda de sua popularidade – uma pesquisa mostra pela primeira vez que mais da metade dos brasileiros (54%) tem péssima opinião sobre seu governo. Neste quadro, cresce a articulação da frente ampla de democratas e progressistas em defesa da democracia e contra o descalabro que o governo Bolsonaro representa.

Como as investigações do TSE e do STF acuaram Bolsonaro – A decisão do STF a favor do inquérito das fake news aumentou a preocupação do governo Bolsonaro sobre ações que pedem a cassação de sua chapa e do vice no TSE; STF decidiu pela legalidade da investigação do disparo de fake news e ameaças a juízes do tribunal, e abriu caminho para as provas serem anexadas a ações que pedem a perda de mandato da atual gestão. Há oito dessas ações no TSE. A PGR seguiu o rastro do dinheiro que financia manifestações golpistas, contra o Congresso Nacional e do STF – 11 parlamentares bolsonaristas tiveram o sigilo bancário quebrado, além de ativistas de extrema-direita, donos de sites e administradores de canais no YouTube.

Uma novidade nas pesquisas – Rejeição a Bolsonaro bate recorde e chega a 54%, aponta pesquisa. A novidade é que, pela primeira vez desde a posse, Bolsonaro é rejeitado por mais da metade da população: 54% o consideram ruim ou péssimo, mostra a pesquisa Quaest Consultoria e Pesquisa. Mostra também a decepção: 56% consideram que ele faz um governo pior do que esperavam.

Direitistas apagam 3.127 vídeos antidemocráticos –  Sob ameaça de prisões, rede bolsonarista apaga 3 mil vídeos criminosos. Foco de investigação do STF, TSE e de uma CPMI no Congresso o “gabinete do ódio”, em menos de dois meses, tirou do ar 3.127 vídeos criminosos com fake news ou ameaças à democracia.

O mal começo de um ministro – Bolsonaro entrega Educação a um ministro sem experiência na área –  O governo Bolsonaro anunciou na quinta-feira (25) o nome de Carlos Alberto Decotelli para o ministério da Educação. O novo ministro é economista e oficial da reserva da Marinha, teve uma curta passagem pelo FNDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação). O presidente UNE Iago Montalvão diz que falta a ele experiência como gestor na área educacional. O novo ministro entra mal no cargo desmentido pelo reitor da Universidade de Rosário, na Argentina, de ter concluído o doutorado naquela instituição; e também de ter plagiado parte de sua dissertação de mestrado defendida em 2008, na FGV. Ele copiou de um relatório da CVM, 4.200 palavras, diz a acusação. Ele é acusado também de superfaturamento na compra de computadores, no valor de 3 bilhões de reais – denúncia de corrupção ignorada pelo ex-ministro Sérgio Moro.

Bolsonaro e Guedes deixam quase 7 em cada 10 familias superendividadas – Sob Bolsonaro e Guedes, endividamento de famílias bate novo recorde – Enquanto se agarram à agenda rentista e afundam o país, Bolsonaro e Paulo Guedes lançam milhões de famílias no abismo do superendividamento. Uma pesquisa recente, da Confederação Nacional do Comércio, mostra 67% das famílias endividadas em junho, o índice mais alto desde janeiro de 2010.

Renda básica para todos – Debate sobre renda básica universal avança no Congresso e na sociedade – Congresso pode converter auxílio emergencial em renda permanente. Há consenso para prorrogar o benefício e boas chances de manutenção do valor mensal de 600,00 reais. Outra discussão ganha corpo, entre parlamentares e sindicalistas: a instituição de uma renda básica universal. No Congresso, vai se formando a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Renda Básica – precisa de 171 assinaturas.

É preciso a mais ampla frente democrática contra a ameaça autoritária – Nove partidos superam divergências em diálogo em defesa da democracia – Partidos historicamente adversários se uniram, na quarta (17), num diálogo para reafirmar a unidade em defesa do trabalhador em meio à pandemia e da democracia ameaçada pelo atual governo. O tema ao debate foi “Democracia, política e partidos” no ciclo Diálogos, Vida e Democracia,do Observatório da Democracia.

Mais de 60 organizações – entidades nacionais, centrais sindicais, movimentos sociais, articulações pró-democracia e ONGs lançam, na segunda-feira (29), a campanha Brasil pela Democracia.

Luciana Santos: Frente ampla ganha impulso e representatividade – O momento requer a ampla mobilização de energias para a busca de caminhos que conduzam o Brasil no rumo da superação dessa grave crise.

Xô, Weintraub – nem o Banco Mundial o quer! – Na quarta (24), associação de funcionários do Banco Mundial pediu a manifestação do Comitê de Ética do banco sobre a indicação de Abraham Weintraub para uma diretoria executiva do banco; no dia seguinte (25), voltou a pedir a investigação sobre o ex-ministro.

Heleno, na mira da PGR – PGR vai apurar conduta do ministro Heleno sobre ameaça à democracia – O motivo foi a publicação, pelo general, de nota contra apreensão do celular de Bolsonaro, na qual fez ameaças à ordem democrática.

Privatização – Senado abre a porta para empresas privadas no saneamento – Senado aprova novo marco do saneamento – O Senado aprovou na quarta-feira (24) o PL 4.162/19, que trata do novo marco do saneamento, e abre a porta para a privatização. A decisão é criticada pelos progressistas, que acusam não ter havido debate com a sociedade desta mudança que favorece empresas privadas, que visam unicamente lucrar com o serviço.

Vermelho