A força do exemplo O fato de ministros ligados às Forças Armadas terem sido os primeiros a encamparem os apelos de Paulo Guedes (Economia) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil) à abertura de negociações com o Congresso reforçou a percepção de que os tropeços de Jair Bolsonaro assustaram até os militares. Setores do Parlamento veem no gesto de nomes como o general Santos Cruz uma tentativa de reformar, com jeito, o discurso de campanha do presidente, fundado até aqui no combate “à velha política”.

Assino embaixo Na Folha deste domingo (31), Santos Cruz (Secretaria de Governo) disse que os ministros devem “levantar das cadeiras” para falar com deputados e senadores. Ele afirmou ainda que é preciso “dar crédito para o Congresso” e garantiu que a maioria dos pedidos tem relação com “políticas públicas”, não com interesses pessoais.

Tiro no pé Políticos que acompanharam agendas de Bolsonaro nos últimos dias contam que, no auge da troca de farpas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os militares demonstraram preocupação e pediram enfaticamente que ele baixasse a temperatura das falas.

Cedo demais Aliados de Maia avaliam que integrantes das Forças Armadas “se assustaram” com a rapidez com que as relações entre o Congresso e governo degringolaram.

Lição de casa  Integrantes do Ministério da Defesa recorrem à doutrina militar para pregar um freio de arrumação. A regra geral, eles dizem, prevê que, após uma grande vitória, trabalhe-se para estabilizar o território.

Um a um Centrais sindicais lançam na quinta (4), em São Paulo, um abaixo-assinado contra a reforma da Previdência. Haverá mobilização para recolher assinaturas nos locais de trabalho de cada categoria.

Me represente O documento, intitulado “Em defesa da Previdência pública e solidária”, faz um apelo para que os deputados votem contra as mudanças na aposentadoria.

Geral e irrestrito A reforma da Previdência, sustenta o texto, “atinge todos os segmentos da classe trabalhadora, dificulta acesso à aposentadoria e força as pessoas a trabalharem por mais tempo recebendo benefícios menores”.

Está na mesa  Em reunião na semana passada com Paulo Guedes (Economia), governadores acertaram enviar ao Executivo texto que regulamenta a distribuição de verbas de fundos como o Penitenciário e o de Saúde. “Não dá para congelar tudo esperando a reforma da Previdência”, afirma o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB).

Leque de opções Os gestores querem flexibilizar as regras que determinam onde e como o dinheiro desses fundos pode ser aplicado.

Leque de opções 2 No caso do Funpen, por exemplo, o dinheiro só pode ser liberado pela União para ser aplicado na melhoria de presídios. Os estados querem contratar pessoas e aplicá-lo em segurança pública.

Não vou só O PSL, que se recusava a relatar a reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça por receio de a proposta ser rejeitada já no primeiro embate, decidiu abraçar a missão após ser informado de que Maia costurou acordo com líderes para tentar aprovar a proposta no colegiado dia 17 de abril.

Sem segredo O Tribunal de Contas do Estado não vê a menor chance de o governador João Doria conseguir manter em segredo os gastos que teve com decoração no Palácio dos Bandeirantes.

Sem segredo 2 O governador mandou cobrir de preto uma série de paredes de madeira na sede do governo. Também instalou móveis negros, carpetes e nova iluminação.

Casa Cor O projeto é da decoradora Jóia Bergamo, figura conhecida na Casa Cor e na revista Caras. Foi ela que projetou o muro de vidro que vive quebrando na raia da USP, na marginal Pinheiros, instalado quando Doria era prefeito.


TIROTEIO

Não impulsionei fake news, como atesta o próprio TSE. Bolsonaro impulsionou notícia falsa e não foi multado

Do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), sobre a multa que recebeu por disseminarinformações negativas acerca de seu concorrente

Folha de S.Paulo