Pelos dados da Pnad Contínua, a população ocupada teve um aumento de 2,154 milhões de pessoas no trimestre encerrado em julho

Por Lucianne Carneiro, Valor — Rio

O emprego formal foi o que mais contribuiu para a expansão do mercado de trabalho no trimestre encerrado em julho de 2022, mas ainda está distante do recorde alcançado em 2014. A avaliação foi feita pela coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Adriana Beringuy.

Pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a população ocupada teve um aumento de 2,154 milhões de pessoas no trimestre encerrado em julho. Desse total, 560 mil vieram do mercado de trabalho informal, ou 26%. Isso significa que o mercado formal respondeu pelo restante.

“Hoje, quem mais está respondendo pelo crescimento da ocupação é a parcela formal. Diferente de outras situações no passado, em que era a informalidade respondia por 70% do crescimento. No trimestre, de fato a ocupação formal foi preponderante”, afirmou ela, ponderando, no entanto, sobre a qualidade do emprego.

“Se a gente pensar em qualidade do emprego, temos crescimento do empregado no setor privado com carteira assinada. Só que de fato a gente não se equiparou a recordes anteriormente verificados para essa série, enquanto no emprego sem carteira e no conta própria os recordes foram atingidos agora”, disse.

O número de trabalhadores com carteira assinada atingiu, no trimestre encerrado em julho, 35,801 milhões de pessoas. Na série comparável (trimestres encerrados em janeiro, abril, julho e outubro), o recorde da Pnad Contínua é de 37,594 milhões de trabalhadores com carteira, de julho de 2014.

Por outro lado, há recordes no trimestre encerrado em julho de 2022 tanto para o número de trabalhadores sem carteira (13,075 milhões) e no número de trabalhadores por conta própria (25,873 milhões), também considerando a séria histórica comparável.

“Há um espaço a ser percorrido pelo contingente de trabalhadores com carteira assinada até o recorde da série histórica. É uma diferença de quase dois milhões [1,93 milhão] de pessoas a menos agora com carteira do que era no maior patamar da série”, destacou.

Dois setores

Coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Adriana Beringuy destacou hoje que a redução da desocupação está disseminada pelas dez atividades econômicas acompanhadas pelo instituto. Ainda assim, mais de 60% das novas vagas criadas pelo mercado de trabalho no trimestre encerrado em julho, frente ao trimestre anterior, vieram de apenas dois setores (comércio e setor público), como mostrou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

“Esse processo da redução da desocupação está bastante disseminado pelas atividades. Mesmo aquele grupamento de serviços de tecnologia de informação, que cresce desde o início, continua crescendo. Também tem alguns serviços que mostraram recuperação mais no fim de 2021, os serviços presenciais. E nos últimos trimestres tivemos um crescimento bastante vigoroso no comércio e no setor público, por reflexo do pós-pandemia”, afirmou ela.

A população ocupada como um todo chegou a um recorde de 98,7 milhões no trimestre encerrado em julho, 2,154 milhões de pessoas a mais que no trimestre anterior. Todas as dez atividades econômicas registraram expansão das vagas no trimestre encerrado em julho de 2022, frente ao trimestre anterior, só que apenas duas delas foram classificadas pelo IBGE como crescimento: comércio e setor público. As outras oito variações foram consideradas estabilidade pelo instituto, por não terem variações significativas e estarem dentro da margem de erro da pesquisa.

Dessas 2,154 milhões de pessoas ocupadas a mais no trimestre, 1,340 milhão (62,2%) conseguiram trabalho nos setores de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas e de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais.

No comércio, foi um acréscimo de 692 mil pessoas no mercado de trabalho, 3,7% a mais que no trimestre anterior. Já o setor público empregou 648 mil pessoas a mais, um aumento de 3,9% frente ao trimestre anterior.

Conteúdo originalmente publicado pelo Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor Econômico

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