Por Fabio Murakawa e Andrea Jubé, Valor — Brasília

Auxiliares e aliados do presidente Jair Bolsonaro esperam uma paz "relativamente duradoura, mas não eterna" com o Supremo Tribunal Federal (STF), após a "Declaração à Nação" publicada por ele na quinta-feira. Fontes ouvidas pelo Valor ontem disseram acreditar que a calmaria vai durar "até a próxima crise" e que o recuo de Bolsonaro foi "estratégico", embora tenha havido gestos de reaproximação das duas partes desde então.

A "Declaração" foi escrita dentro do Palácio do Planalto, em conjunto com o ex-presidente Michel Temer, trazido de São Paulo em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Teve sugestões de ministros da ala política, como Ciro Nogueira (Casa Civil) e Flávia Arruda (Secretaria de Governo), além do advogado-geral da União, Bruno Bianco. Filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) também esteve no gabinete presidencial enquanto o documento era elaborado.

Na mesma tarde, Temer ligou para o mininstro Alexandre de Moraes, que ele indicou ao STF, e passou o telefone ao sucessor. Bolsonaro conversou brevemente com Moraes. Fontes ligadas ao ex-presidente afirmam que não foi selado um pacto nem assumido nenhum compromisso entre ambos. No Palácio do Planalto o que se diz é que o conteúdo do telefonema está restrito aos dois presidentes e a Moraes.