Economista também voltou a defender a retomada dos investimentos públicos para sair da crise e criticou o “veneno neoliberal” que interdita o debate econômico.

Os governadores da região Nordeste defendem a prorrogação do estado de calamidade pública para o Brasil pelo menos para o primeiro semestre de 2021. “Ninguém quer e ninguém deseja, mas a calamidade é uma realidade”, disse o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), que lidera o consórcio de governadores da região e que afirmou também se manifestar em nome do fórum de governadores de todo o país.

A prorrogação da calamidade permitiria, por exemplo, a continuidade do auxílio emergencial, sem as amarras impostas pelo teto de gastos e outras regras fiscais. A equipe econômica, porém, vinha demonstrando fortes resistências a essa ideia, porque entende que o país já gastou demais e deveria voltar à trilha da austeridade.

No mesmo dia, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, voltou a falar que é preciso deixar os gastos maiores “circunscritos” a 2020 e minimizar despesas no ano que chega.

“Se olharmos o que justificou a aprovação pelo Congresso da calamidade em abril deste ano, temos hoje as mesmas características. Continua o problema grave da pandemia no mundo e no Brasil, com fortes efeitos sociais e econômicos. A aprovação da calamidade é uma urgência, uma emergência”, disse. “É importante para se ter instrumentos para lidar com esse momento, especialmente cuidar do social, com auxílio financeiro, da proteção dos empreendedores e as próprias medidas para o setor de saúde”, completou.

Na primeira parte, o economista, que é professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), havia tratado dos impactos da pandemia e do fim do auxílio emergencial no cenário econômico de 2021.

Se você quer ter uma economia mais inclusiva e solidária, vão ter que taxar as grandes fortunas. Tem que taxar o patrimônio. No Brasil, o patrimônio tem uma participação ínfima na receita fiscal. Assim como o nosso imposto de renda também é muito favorável aos ricos. A faixa mais alta da renda tem uma alíquota muito baixa. Uma das mais baixas, se não a mais baixa do mundo”, disse o economista.

Além disso, para a retomada do crescimento, Belluzzo voltou a defender investimentos públicos para estimular a criação de empregos.

“É preciso dirigir o gasto público, o investimento, para os setores que geram mais empregos e, portanto, têm maior capacidade de multiplicação de renda. O FMI está defendendo isso. Porque os indivíduos vão se sentir seguros e começar a gastar, a partir de um gasto originário do estado”, declarou.

Veneno neoliberal

Analisando a trajetória da economia brasileira, Belluzzo lembrou que até a década de 1980 o Brasil era o mais industrializado, entre os países em desenvolvimento. Naquele momento, a partir do diagnóstico equivocado de que a crise da dívida externa teria sido causada pelo excesso de intervenção do Estado na economia, “a nuvem venenosa neoliberal foi se apoderando dos espíritos”.

Outro momento de avanço das ideias neoliberais foi durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Até mesmo o ajuste fiscal promovido pelo então ministro da Fazenda Joaquim Levy, durante o governo Dilma, foi criticado por Belluzzo. Hoje, segundo ele, não há espaço para divergência nos meios de comunicação tradicionais, que insistem na redução dos gastos públicos como a única receita econômica possível.

Fonte: Rede Brasil Atual
Disponível em: https://vermelho.org.br/2020/12/29/belluzo-defende-taxacao-de-grandes-fortunas-no-brasil-e-no-mundo/