Por João Franzin - Os maiores problemas que afetam os trabalhadores brasileiros, hoje, são: 1) Recessão econômica prolongada; 2) Desemprego em massa; 3) Precarização do trabalho e arrocho salarial; 4) Aumento da informalidade e arrocho; 5) Cortes em direitos trabalhistas e previdenciários; 6) Enfraquecimento das entidades sindicais, por meio da proibição de arrecadação.

Qual desses problemas foi gerado pela estrutura sindical brasileira, pela forma com que nosso sindicalismo se organiza e funciona – conforme está na Constituição? Nenhum. Todos eles foram gerados pelo sistema capitalista de viés neoliberal, pela eleição de governantes direitistas, pela judicialização da política, pela criminalização midiática dos movimentos sociais e populares.

Em sendo assim, e é, por que mudar a estrutura sindical? Em que essa mudança reduziria a recessão, o desemprego e a precarização do trabalho? Em nada. Na prática, o que o sistema dominante quer é uma estrutura sindical que endosse as agressões de caráter neoliberal, criando para isso um modelo negociador manso, em que o patrão escolhe com quem negociar, a partir de um vago critério de representatividade, que o próprio capital tem plenas condições de impor.

O sindicalismo é organização de pobres; daí seu caráter solidário; daí porque, além das lutas das categorias, busca oferecer serviços, assistência, convênios e parcerias, que ajudem a melhorar a vida dos trabalhadores e suas famílias, incluindo descontos na utilização de serviços e na compra de bens (as Ligas Camponesas foram criadas pra comprar caixão, pois embrulhar o morto em lençol não era considerado digno).

Se entidades construíram pirâmides e agregaram uma burocracia sindical cara e improdutiva, cometeram um erro crasso, que confronta a própria natureza das entidades (observe nossa história: somos pobres, somos simples, somos humildes, somos povo...). A natureza de serem instrumentos de luta, de solidariedade e prestação de serviços. Essa estrutura - pesada, cara e muitas vezes de baixa produtividade - não se sustenta mais. Para mantê-la, por meio de projetos de lei mágicos, só se entregarmos nossa autonomia e dignidade ao governo de direita, ao Congresso conservador e ao patronato ávido.

O que fazer, então? Duas coisas: a) Na ação sindical, dialogar com a base e buscar apoio nas categorias; b) No plano político, defender o que estabelece a Constituição-Cidadã.

João Franzin é jornalista e diretor da Agência de Comunicação Sindical.
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