Por Vandson Lima — Brasília

Terceiro colocado nas eleições presidenciais de 2018, Ciro Gomes (PDT) avaliou que, ao contrário da expectativa do governo do presidente Jair Bolsonaro, a eventual reforma da Previdência não terá impacto significativo na retomada da economia brasileira.

A proposta é uma das maiores apostas do governo para o primeiro ano de mandato. O mercado tem acompanhado de perto cada movimento político em torno da reforma, na expectativa de que ela equilibre as contas e destrave o crescimento da economia.

O discurso dos ministros de Bolsonaro é de que a aprovação reforma da desencaderia uma série de mudanças, inclusive na política tributária. Ciro discorda.

Em apresentação para avaliar os primeiros seis meses do governo, o pedestista apontou que, por um lado, o nível de atividade da indústria está muito abaixo de sua capacidade. Do outro, o nível de inadimplência da população está muito alto.

“No dia seguinte à reforma da Previdência, não vai acontecer nada. O nível de atividade está tão baixo e inadimplência tão alta que nada se mexerá só com reforma. Será a maior ressaca da história brasileira quando se derem conta disso”, avaliou Ciro.

Do ponto de vista político, o governo Bolsonaro também não obterá grandes ganhos, prevê. “Tal como está o parecer, teríamos em tese economia de R$ 800 bilhões. Mas não é R$ 80 bilhões por ano. É na verdade bem pouco no início e mais no final. O governo Bolsonaro não vai beber desta fonte. O efeito para 2020, por exemplo, é nulo”.

Para Ciro, a mudança no quadro poderia ocorrer com medidas que ele questiona se serão tomadas pela atual gestão, como um aumento robusto no investimento público.

“Com a indústria com 25% de sua capacidade ociosa, o investimento tem de ser do governo. Mas os que estão aí acreditam justamente no contrário disso”, disse.

Além disso, ele defendeu tomar medidas como a tributação de lucros e dividendos, de onde se poderia levantar R$ 70 bilhões, afirmou, e imposto sobre transmissão de heranças acima de R$ 2 milhões, de onde viriam mais R$ 15 bilhões. “Só aí você já quase mata o déficit”, defendeu.

Dado como futuro candidato a presidente em 2022, Ciro diz que “Bolsonaro não é responsável pela tragédia brasileira, que começa em 2014”. Mas, tendo em vista a intenção do presidente de concorrer à reeleição, ele se verá obrigado futuramente a dar uma “guinada” no rumo do governo. “Para onde é que ainda não sabemos”, pontuou.

No evento, que contou com a presença de parlamentares da sigla, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse estar tentando convencer a deputada federal Tabata Amaral (SP), que está em seu primeiro mandato, a concorrer no próximo ano à Prefeitura de São Paulo. A parlamentar não esboçou reação. 

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