Matéria do site Congresso em foco diz que o presidente da comissão especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PR-AM), cobrou nesta quarta-feira (29) nova postura do presidente Jair Bolsonaro e descartou qualquer possibilidade de pressionar o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) a antecipar a apresentação de seu relatório.

 
Na avaliação dele, de acordo com a matéria, Bolsonaro precisa unificar o país em vez de dividi-lo e deixar de ceder à pressão de sua base eleitoral “mais radicalizada”. Marcelo criticou o que classifica como declarações contraditórias do presidente a respeito do Congresso e da própria “reforma”.

“Se o caos interessa, não é para nós. Tem hora que ele sinaliza nesse sentido”, afirma. “Em um dia ele faz um gesto de aproximação; no outro dá uma estocada (no Congresso). Ontem ele defendeu o pacto pelas reformas de manhã. À noite disse que sua caneta era mais pesada do que a do Rodrigo Maia. Não sei qual é o verdadeiro Bolsonaro. Isso gera uma relação de instabilidade”, acrescenta.

Para o deputado, o presidente precisa ter uma visão mais clara sobre as atribuições do cargo que ocupa e ser mais contundente na defesa da reforma. “Não é papel de um presidente dividir o país. Um presidente precisa unir. Ele não é presidente dos seus eleitores, é inclusive daqueles que o odeiam. Tem de governar para todos”, declarou. “Enquanto Bolsonaro não se desprender do núcleo radical, vai ter dificuldade para fazer uma política mais ampla”, emendou.

Estabilidade

Marcelo Ramos também defendeu que o governo recue no discurso de que a "reforma" vai resolver todos os problemas econômicos do país. “Tem de tirar essa ilusão criada pelo Paulo Guedes de que o Brasil vai reagir logo após a "reforma", que ela vai criar um mar de prosperidade. O mercado não vai reagir este ano. Para o mercado não basta a Previdência. Tem de vir acompanhada de outras reformas estruturantes, de estabilidade política e institucional”, afirmou.

Para o deputado, a relação seria mais harmoniosa com o Congresso se Bolsonaro parar de demonizar o Centrão e a negociação com os partidos políticos. “Afastados os casos de desvio de conduta e corrupção, é natural a divisão de ministérios. É assim em todas as democracias do mundo. Se ele não faz isso, teremos então a divisão do Poderes. Aí o governo não influencia na pauta do Parlamentar. Cada um vai cuidar do seu. Não sei se isso é bom ou ruim. Mas é algo novo”, declarou.
Vermelho