Por Isabel Filgueiras, Valor Investe — São Paulo

O Brasil está na iminência de votar mais uma reforma da Previdência, mas o jovem brasileiro não vem se preparando para a aposentadoria. Levantamento com 801 pessoas na faixa etária de 18 a 24 anos, a Geração Z, mostra que somente um a cada quatro deles guardam dinheiro ou investem pensando no aposentadoria.

Embora 78% tenham algum tipo de renda, 27% afirmam que não têm o suficiente para investir em previdência. Outros 27% respondem que ainda se acham muito jovens para ter esse tipo de preocupação. Para 24% deles, não sobra dinheiro e 21% dizem não saber como fazerinvestimento previdenciário.

Os dados são de pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que avaliou hábitos de gestão das finanças pessoais desse grupo.

“[É importante] a implantação de políticas públicas que não somente conscientizem os jovens, mas incentivem o letramento financeiro e eduquem quanto ao uso do dinheiro é fundamental para evitar problemas financeiros futuramente. São necessárias propostas de intervenções práticas no sentido de incentivar comportamentos adequados e o autocontrole nas decisões de gastos", diz o presidente da CNDL, José Cesar da Costa.

Segundo ele, medidas como a reserva automática de uma parte dos ganhos e a adesão automática a planos de previdência nas empresas e para empreendedores poderiam estimular o preparo para a aposentadoria e evitar que na velhice toda uma geração venha a depender do Estado ou da ajuda de outras pessoas.

Entre a minoria que está se preparando para aposentadoria, as estratégia mais comuns são a aplicação em poupança (26%), o INSS pago pela empresa (21%) e, a Previdência Privada (21%). No total, 21% deles dizem ter aberto empresas próprias e contribuem para o INSS de forma autônoma (19%).

Controle de gastos

A pesquisa aponta ainda que 47% desses jovens não fazem controle financeiro. Por outro lado, 53% afirmam controlar receitas e despesa, e embora sejam considerados os primeiros nativos digitais, 26% ainda utilizam o tradicional bloquinho de papel para organizar o orçamento.

Por mais contraditório que possa parecer,19% da geração Z respondeque não sabe com fazer o planejamento financeiro, mesmo com uma variedade de aplicativos grátis para essa finalidade.

Há ainda 18% que dizem que têm preguiça e 18% que admitem não ter disciplina. Para 16%, faltam rendimentos, por isso, não fazem o controle. Outro dado que vale de alerta é que os jovens que poupam colocam seus recursos em aplicações de baixíssima ou nenhuma rentabilidade.

Para se ter ideia, mais da metade (53%) dos que fazem economias guarda o dinheiro na poupança, outros 25% deixa o dinheiro em casa e 20% parado na conta corrente, que também não gera nenhum rendimento. Mais da metade dos entrevistados (56%) também admitiu que realizam compras por impulso.

“Embora a crise econômica e desemprego elevado ajudem, em parte, a explicar as dificuldades financeiras dos jovens, é preciso ressaltar a importância de investir na formação e na educação financeira dessa parcela da população”, comenta Costa.

Os que se interessam em aprender sobre o tema de finanças pessoais recorrem principalmente à internet (40%) e família (27%).

Embora a geração Z seja formada por pessoas nascidas entre 1995 e 2019, a pesquisa só levou em consideração jovens de 18 a 24 anos, de todas as capitais. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais e a confiança, 95%.

Perfil do jovem da geração Z

  • 40% busca informações sobre controle financeiro na internet
  • 78% têm fonte de renda
  • 36% trabalha com carteira assinada e 23% estão alocados em trabalho informal
  • 22% não têm rendimentos.
  • 56% admitem que costumam ceder aos impulsos de compras
  • 75% não se preparam para a aposentadoria
  • 47% às vezes perdem a noção de quanto podem gastar com atividades de lazer
  • 37% já tiveram o nome negativado
  • 22% estão usando limite extra de cheque especial
  • 65% já possuem conta corrente
  • 42% têm cartão de loja
  • 57% possuem cartão de crédito (34% têm cartões digitais)

Gastos, investimentos e objetivos

  • 12% dos que têm algum investimento fizeram em fintechs ou startups
  • 65% dos jovens da Geração Z contribuem financeiramente para o sustento da casa
  • 51% dos gastos são com alimentação
  • 43% com roupas, calçados e acessórios
  • 34% produtos de higiene e beleza
  • 31% com TV por assinatura ou internet
  • 27% contas de serviços básicos como água e luz
  • 11% têm todas as despesas e gastos mensais pagos por terceiros
  • 24% possuem um valor de até R$500 reais guardando,
  • 13% possuem entre R$501 e R$2.000
  • 25%, por sua vez, possuem mais de R$3.001 (sobretudo as classes A/B)
  • 38% não souberam informar o valor.
  • 85% fizeram, eles próprios, a reserva de dinheiro e 20% obtiveram dos pais
  • 52% possuem dinheiro guardado, principalmente na poupança (53%), na própria casa (25%) e na conta corrente (20%)
  • Os principais motivos para guardar dinheiro são acontecimentos imprevistos (33%), viagens (21%) e compra da casa própria (19%)
  • Razões para não ter uma reserva financeira são: nunca sobrar dinheiro (51%) e a falta de disciplina para guardá-lo (22%)

G1