Bate-boca aconteceu entre deputado Zeca Dirceu (PT-PR) e o ministro; 

BRASÍLIA

A reunião da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara com o ministro Paulo Guedes (Economia) foi encerrada por causa de mais um episódio discussão.

O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) afirmou que o ministro é "tigrão" com uns e "tchutchuca" com outros, sugerindo que Guedes privilegia banqueiros e rentistas.

Às 20h23, era vez do petista questionar o ministro sobre a proposta de reforma da Previdência.

O petista queria estudos da equipe econômica para que o governo decidisse priorizar o endurecimento das regras de aposentadoria, em vez de propor mudanças no sistema bancário.

“Eu estou vendo que o senhor é tigrão quando é com os aposentados, com os idosos, com os portadores de necessidade; é tigrão quando é com agricultores, com professores. Mas é tchutchuca quando mexe com a turma mais privilegiada do nosso país. O cargo público que você ocupa exige uma outra postura”, afirmou Dirceu.

Tchutuca e tigrão são referências a um funk dos anos 2000, da banda Bonde do Tigrão.

O deputado foi logo interrompido por aliados do presidente Jair Bolsonaro. 

Guedes também reagiu. O ministro se ofendeu e revidou: “Tchutchuca é a mãe, tchutchuca é a avó!”

Depois, pediu respeito: “Eu te respeito. Você me respeita!”

Irritado, o ministro pegou o celular e já ameaçava ir embora. Ao lado dele estava o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho.

Marinho cochichou no ouvido com o presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR). 

Instaurou-se um caos generalizado no plenário da comissão e, após seis horas e meia de audiência, a sessão foi encerrada antes mesmo que metade dos deputados inscritos conseguissem falar.

O bate boca continuou nos corredores e houve empurra-empurra. O deputado Éder Mauro (PSD-PA) disparava para Zeca Dirceu: "vai falar assim na sua casa". 

Delegado Waldir (PSL-GO), líder do partido na Casa, disse que iria embora. "Não vou ficar com bandido aqui", disse. 

Em meio aos empurrões, o ministro saiu escoltado por parlamentares aliados e foi embora por uma escada lateral do anexo 2 da Câmara. 

Segundo o deputado petista, a confusão foi uma estratégia do ministro para deixar a audiência. "Ele queria encerrar há tempos, usou isso como desculpa para fugir do debate", disse. 

A confusão continuou entre deputados e assessores. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) acusou a assessora especial do ministro, Daniella Marques, de agressão. 

​Marques foi levada ao departamento de polícia da Câmara. "Aqui é o local de trabalho dos parlamentares, não vou permitir que seja agredida aqui", disse a deputada. Segundo ela, deputadas da oposição se aproximaram da mesa depois do fim da sessão para tentar retomar a audiência, mas foram empurradas pela assessora. ​

O Procurador-Geral da Fazenda Nacional, José Levi Mello do Amaral Junior, que acompanhou Daniella até a sala da Polícia Legislativa, disse desconhecer qualquer agressão. Ele afirmou que nenhuma ocorrência foi registrada e que a questão foi resolvida.

“Está tudo absolutamente serenado. Fomos muito bem recebidos, acolhidos”, disse.

Angela Boldrini , Thiago Resende e Bernardo Caram
Folha de S.Paulo