Líderes governistas cobraram do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, um pedido de desculpas formal do governo ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Mais especificamente, partindo do presidente Jair Bolsonaro. A exigência foi feita na terça (26) em uma reunião com os deputados da base. Onyx não prometeu nada. Ficou de levar a demanda ao chefe.

"Cobramos menos ataques do presidente [Jair Bolsonaro] ao Rodrigo [Maia]. A situação não pode ficar como está. O Onyx [Lorenzoni] saiu de lá com a promessa de que vai conversar com Bolsonaro", afirmou o líder do PSL, delegado Waldir.

O encontro veio após uma semana em que a articulação política, que já era alvo de críticas na própria base há semanas, degringolou. E a reforma da Previdência, prioridade máxima de Jair Bolsonaro nesse primeiro semestre, estagnou de vez na Câmara. A proposta de emenda à Constituição (PEC), que chegou à Casa em 20 de fevereiro, está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ainda sem relator definido - o que, por sinal, ainda não tem previsão de ser definido.

Semana passada, um clima bélico tomou conta dos corredores da Casa, com bate-boca pela imprensa entre Maia e ministros de Bolsonaro. O ápice parecia ter vindo na sexta (22), quando o presidente da Câmara, principal fiador da reforma, articulador máximo da PEC, decidiu deixar as negociações em prol do texto.

Porém, o momento de maior tensão ocorreu no fim de semana, quando Rodrigo Maia afirmou que não há governo, que a atual gestão é um “deserto de ideias” e trabalhou contra sua reeleição ao cargo. E, agora, segundo ele, joga toda a responsabilidade pela aprovação da reforma em suas costas.

Jair Bolsonaro retrucou: disse que não deu motivo para insatisfação, tentou associar o deputado à “velha política” e sugeriu que ele estava nervoso por causa da prisão do ex-ministro Moreira Franco, padrasto de sua esposa, que havia sido preso na operação que também prendeu o ex-presidente Michel Temer semana passada. Afirmou ainda que já cumpriu seu papel ao mandar a proposta ao Congresso.

Cobranças

"O Rodrigo é o maior e melhor articulador da PEC da reforma aqui de dentro e o governo precisa respeitá-lo", concluiu o delegado Waldir.

Um líder de um partido do centrão (bloco formado por DEM, PRB, PR, PP e SD) que preferiu não se identificar, contou que a reunião pareceu tranquila, mas havia um "sensação de caos" no ar. "Eles sabem que a situação está muito ruim para eles aqui. Precisam construir, a essa altura do campeonato, algo que já deviam estar fazendo há muito tempo. Estão alcançando os 100 dias sem nada para apresentar. Ao contrário. Tendo que apagar incêndio".

"O Onyx ouviu muito, falou pouco. Mas prometeu coisas que já havia prometido antes. A liberação de cargos. Vamos ver se agora, com essa situação toda, eles finalmente aceleram as coisas", afirmou outro líder do centrão.

Mais desavenças

Nem bem acabava a reunião de Onyx com os líderes, um post de um nome bastante próximo do presidente Jair Bolsonaro agitou as redes sociais. Era o escritor Olavo de Carvalho que mandava mais uma indireta a Rodrigo Maia.

Olavo de Carvalho@opropriolavo

O Nhonho quer articular cu com piroca. A piroca dele e o cu nosso.

A interlocutores, Maia tentou levar na esportiva: "Ainda bem que eu entro com a piroca", brincou, conforme relatos.

No Congresso, porém, a postagem do escritor, que é próximo do governo e com grande influência sobre o presidente Jair Bolsonaro, tomou outros contornos. Houve cobrança no plenário.

O deputado Luiz Flávio Gomes (PSB-SP) pediu a palavra minutos após o tuite de Olavo de Carvalho: "É incrível a ofensa à instituição. Agora não é uma questão do presidente Rodrigo Maia, é uma questão da instituição, do Parlamento, que não pode admitir esse tipo de ataque contínuo. Nós temos que pedir providências ao Governo para que enquadre quem disser esse tipo de palavrões e fizer esses ataques, porque é a instituição que está em jogo, e não a pessoa de Rodrigo Maia".

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