Ao líder na Câmara cabe conduzir a base na intrincada discussão sobre a reforma da Previdência. O do Senado, neste momento, está mais tranquilo, mas chegará o momento de “carregar pedra”. A do Congresso não terá vida fácil, pois terá que mediar negociações com as 2 casas legislativas. Sobre o 1º e a 3ª pesa o fato de serem deputados neófitos, sem experiência, num momento de grande confronto político e ideológico.

Marcos Augusto de Queiroz*

A escolha da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) para ocupar a liderança do governo no Congresso completa a trinca de interlocutores do presidente Jair Bolsonaro no Legislativo, composta também pelo deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO) na Câmara e Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) no Senado.

No entanto, a esses líderes faltam os liderados. O Palácio do Planalto ainda precisa construir uma base de apoio no Congresso para aprovar sua complexa agenda.

Os desafios de cada um estão claramente colocados e possuem níveis diferentes de dificuldade. A Vitor Hugo, cabe a missão mais importante e crucial para o sucesso da gestão Bolsonaro: a reforma da Previdência. Na Câmara, onde se inicia a tramitação da proposta, a diversidade e amplitude da representação da Casa tornam a batalha mais dura.

O fato de ser um parlamentar de primeiro mandato, sem experiência e do mesmo partido do presidente ainda acrescenta mais alguns embaraços. O papel do líder governista tende a ser suplantado pelo protagonismo assumido pelo presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), que atua como o principal articulador da reforma.

A tarefa de Joice não é tão menos complicada. A liderança no Congresso envolve negociações com a Câmara e o Senado paralelamente, pois cuida das propostas que tramitam conjuntamente entre as duas casas. Ela será responsável pela coordenação da análise de medidas provisórias (MP) nas comissões mistas e a deliberação de propostas orçamentárias e vetos presidenciais.

O estoque dessas matérias atualmente é de 19 MP em comissões e 17 vetos pendentes, sendo 7 assinados por Jair Bolsonaro. Trata-se de uma função que requer bastante capacidade de negociação. Sua escolha se deve ao fato de ter sido apadrinhada por Rodrigo Maia e pelo presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Ao senador Fernando Bezerra, por ora, cabe o trabalho mais leve. Enquanto aguarda a chegada das matérias vindas da Câmara, como a reforma da Previdência, o pacote anticrime e outras, ele vai tratar de algumas propostas menos complexas.

Entre elas, estão a conclusão do cadastro positivo, a Lei Geral das agências reguladoras, a nova Lei de Telecomunicações e o compartilhamento de recursos da cessão onerosa do pré-sal. A experiência como ex-líder do governo Temer e o bom trânsito na Casa, prenunciam uma gestão mais tranquila à frente dos interesses do Planalto.

(*) Jornalista, analista político especializado em processo legislativo

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