As centrais sindicais voltam a se reunir nesta quinta-feira (1º) para fazer um balanço das eleições. Entre os temas que serão tratados está a reforma da Previdência Social que o governo de Michel Temer pretende colocar em votação ainda neste ano. Em conversa com o Portal Vermelho Adilson Araújo, presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), reiterou nota das centrais divulgada em setembro. “Se botar para votar o Brasil vai parar”.

Por Railídia Carvalho

reprodução
Adilson Araújo segura faixa em protesto contra a reforma da PrevidênciaAdilson Araújo segura faixa em protesto contra a reforma da Previdência
“O movimento sindical antes mesmo da eleição já tinha sinalizado em nota unitária das centrais que se botasse para votar a gente iria parar. A decisão é atual e continua viva. A gente não pode ter dúvida que a tempestade é longa e tem muita batalha a ser travada. 

Segundo o dirigente, a reforma da Previdência ganha terreno com a vitória de Jair Bolsonaro para a presidência da República. No entanto, Adilson lembrou que para ser colocado em votação muitas articulações estão em jogo como a eleição para a presidência da Câmara Federal, a nova composição do Congresso. 

"Tem ainda a pressão da sociedade que barrou uma vez a reforma. Não é matéria fácil mas é preciso estar alerta porque não se pode esperar nada de bom deste governo que está aí. A equipe de Bolsonaro anunciou que a reforma é prioridade”.

Nesta terça-feira (30), Paulo Guedes indicado para o Ministério da Fazenda no governo de Bolsonaro afirmou que a reforma da Previdência é prioridade do governo. “É a mais importante e a mais rápida”, disse Guedes. 

Segundo ele, o objetivo da reforma é o controle da expansão dos gastos públicos. “Não é com a reforma da Previdência que vai resolver a crise econômica. É preciso recuperar obras paradas e retomar o investimento público”, argumentou Adilson.

O advogado especialista em direito previdenciário Sérgio Pardal Freudenthal reafirmou que a Previdência não é deficitária. Segundo ele, os que tem interesse em reformar a previdência juntam as contas da seguridade e da Previdência para retirar benefícios dizendo que é preciso controlar gastos. 

“É muito difícil dizer o que propõe o Bolsonaro. Ele não propõe nada. O que temos até agora é que ele pode recuperar a proposta de Collor em 1990, que garantia assistência para quem ganha até 3 salários mínimos e a previdência era privada, cada um fazia a sua. Não tem dúvida que a proposta do fascismo junto com o ultraneoliberalismo é jogar na assistência até um certo limite e privatizar a Previdência dando um baita dinheiro para os bancos”, projetou o advogado.


Do Portal Vermelho