Proposta enviada por Rafael Greca à Câmara permite exclusividade da bilhetagem eletrônica em todo o sistema. Líder do prefeito no Legislativo afirma que não haverá demissões em massa"

"A prefeitura de Curitiba encaminhou à Câmara de Vereadores, na semana passada, um projeto de lei que permite a instalação do sistema de bilhetagem eletrônica de forma exclusiva em todo o transporte coletivo da capital. O texto altera a lei nº 10.333, de 2001, que permite que não haja cobradores somente nos ônibus que param nas estações-tubo e nos micro-ônibus. A proposta da gestão de Rafael Greca (PMN) ainda precisa passar pela Procuradoria Jurídica do Legislativo e pelas comissões da Casa antes de ser votada em plenário.

De acordo com a justificativa do projeto, a medida visa trazer mais agilidade ao transporte coletivo, além de aumentar a segurança para os passageiros e os trabalhadores do sistema. Segundo a mensagem enviada pelo prefeito, o pagamento das passagens pelo sistema eletrônico reduz em 90% o número de assaltos aos veículos do transporte.

“É importante esclarecer que a proposta foi largamente debatida com as concessionárias do transporte coletivo. Inclusive, atende às solicitações por parte do Sindicato das Empresas do Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana, que apontam a necessidade de mudanças no sistema, com a pulverização dos pontos de venda de cartão transporte avulsos como forma de melhorar operacionalmente os serviços”, diz o texto.

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Sindicato rebate
Diante do envio da proposta pela prefeitura, o Sindicato de Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) se manifestou dizendo que a medida é “absurda e descabida” diante do número de desempregados no país. “Levantamento que o Sindimoc fez em 43 cidades do Brasil (capitais e grandes centros urbanos) mostra que, em todas as cidades em que o cobrador foi retirado, a passagem não caiu de preço”, diz a nota do Sindimoc enviada à reportagem.

O sindicato argumenta, ainda, que a qualidade do serviço será prejudicada caso a medida seja aprovada, já que o cobrador também auxilia os passageiros e monitora o embarque e o desembarque nos ônibus. Segundo a nota, o Sindimoc já começou a procurar os vereadores para mobilizá-los contra a proposta. Outras medidas não estão descartadas.

Vereadores debatem proposta
O projeto já está sendo alvo de críticas dos vereadores, mesmo que ainda não tenha chegado à fase de discussão em plenário. Rogério Campos (PSC), que já foi cobrador de ônibus, disse, na sessão desta segunda-feira (29), que não votará a favor do projeto mesmo sendo parte da base do prefeito no Legislativo. “Esta Casa não pode ser responsável pelo aumento do desemprego no país”, afirmou.

Segundo o líder do prefeito na Câmara, porém, a mudança não significa que a categoria será extinta. “Haverá um período de dois anos para que seja realizada a transição. Não teremos demissões em massa, isso é só um alarde sem qualquer critério”, rebateu Pier Petruzziello (PTB) em entrevista à Gazeta do Povo.

A mensagem da prefeitura afirma que os cobradores poderão passar por processos de formação para que se tornem motoristas, ou poderão ser realocados para setores administrativos das empresas.

Proposta antiga
No início da gestão de Greca, a prefeitura já havia sinalizado que pretendia substituir o trabalho dos cobradores pela bilhetagem eletrônica. Em 2017, o então presidente da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), José Antonio Andreguetto, afirmou que o Executivo estudava reduzir o número de trabalhadores para diminuir o custo da passagem.

“Nós governamos para a maioria. Não podemos, de forma alguma, discriminar uma categoria tão importante sem pensar com responsabilidade aonde alocar esses trabalhadores, mas ao mesmo tempo não podemos deixar de tomar medidas e prejudicar a maioria. É óbvio que esse custo [dos cobradores] altera bastante o valor da tarifa”, disse. À época, as intenções da prefeitura foram confirmadas por Greca."

Fonte: Gazeta do Povo, 30 de outubro de 2018.