Aumento da expectativa de vida gera negócios em vários setores, em especial na Europa e no Japão

LONDRES, NOVA YORK E TÓQUIO

expectativa de uma vida longa tem rendido lucros nos mais diferentes setores da economia e em vários países —em especial na Europa e no Japão, lugares em que a população idosa atinge um percentual maior da população.

A unidade da Nestlé estima que uma nova divisão de suplementos e bebidas nutritivas para idosos crescerá até se transformar em um negócio de quase US$ 1 bilhão (R$ 4,08 bilhões) em até dez anos. 

A gigante de alimentos passou a empregar genética para comercializar alimentos.

No país, onde a expectativa de vida é de 84 anos, a empresa registra demanda crescente por um programa de assinatura para nutrição que pode custar cerca de US$ 600 (R$ 2.450) por ano e que oferece cápsulas e outros produtos. 

Os consumidores enviam fotos de seus pratos de comida por meio de um chat para smartphones e a inteligência artificial do programa os aconselha a complementar a refeição com os chás verdes e produtos lácteos com nutrientes reforçados da Nestlé.

Eles também podem melhorar os conselhos do programa usando testes de DNA e amostras de sangue.

Impulsionada por uma população que está envelhecendo, a demanda por aparelhos auditivos é outro fenômeno a chamar a atenção ao intensificar vendas e criar bilionários. 

O valor das ações da fabricante de aparelhos auditivos Amplifon, com sede em Milão, na Itália, mais do que dobrou desde o começo de 2017, ajudando a transformar sua principal acionista em bilionária. 

A presidente do conselho, Susan Carol Holland, detém 44,9% da empresa por meio da holding de sua família, o que representa a maior parte de sua fortuna de US$ 2,3 bilhões (R$ 9,4 bilhões).

A ONU projeta que a população global de pessoas com 60 anos ou mais dobrará para 2,1 bilhões até meados do século, e o mercado de aparelhos auditivos deverá crescer quase 6% ao ano até 2022, segundo a empresa de pesquisa Technavio.

William Austin, 76, fundador da Starkey Hearing Technologies —única americana entre as seis maiores fabricantes de aparelhos auditivos—, tornou-se bilionário em 2014. 

A empresa conta com cinco presidentes, dois papas e a cantora americana Dolly Parton entre seus clientes.

Já a Sonova Holding, maior fornecedora, em receita, de produtos auditivos, com sede na Suíça, viu suas ações baterem recorde de alta em julho. 

As ações respondem por mais da metade da fortuna líquida de US$ 1,1 bilhão (R$ 4,5 bilhões) de Hans-Ueli Rihs, que detém 5,7% da empresa.

A Sonova também vende aparelhos auditivos de forma direta e reforçou presença no varejo há dois anos ao adquirir a rival da Amplifon, a AudioNova International.

 
Fonte: Folha de S.Paulo, 28 de agosto de 2018.