Resultado é respaldado pela expectativa de retomada do crescimento do setor da construção e de mais um bom ano da agropecuária e da indústria de transformação, segundo a FGV.


Setor de caminhões reage, mas indústria tem 75% de ociosidade (Foto: Mercedes-Benz/Divulgação)

Setor de caminhões reage, mas indústria tem 75% de ociosidade (Foto: Mercedes-Benz/Divulgação)

      

Indicador de Intenção de Investimentos da Indústria avançou 7,7 pontos no 1º trimestre, atingindo 123,7 pontos, maior nível desde o quarto trimestre de 2013 (129,5), segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador mede o ímpeto de investimento entre as empresas industriais.

"O resultado corrobora um cenário de aceleração dos investimentos em 2018, respaldado pela expectativa de retomada do crescimento do setor da construção e de mais um bom ano da agropecuária e da indústria de transformação”, diz Aloisio Campelo Jr., Superintendente de Estatísticas Públicas da FGV/IBRE.

Segundo ele, a sondagem também identificou redução da incerteza quanto à execução dos planos de investimento, uma boa notícia, mas que deve ser absorvida ainda com cautela diante das dúvidas com relação ao processo eleitoral e suas repercussões sobre a economia.

O indicador chega ao 4º trimestre consecutivo acima dos 100 pontos, nível em que a proporção de empresas prevendo aumentar o volume de investimentos produtivos nos 12 meses seguintes é superior à das que projetam reduzir os investimentos. Isso não ocorria desde 2014, segundo a FGV. Ainda assim, o indicador continua abaixo do nível médio de 2012-2013, os dois últimos anos anteriores à longa recessão de 2014-2016.

Entre o 4º trimestre de 2017 e o 1º tri de 2018, houve aumento da parcela de empresas que preveem investir mais, de 26,6% para 34,7%, acompanhado do aumento, em menor magnitude, da proporção das que preveem investir menos, de 10,6% para 11,0%.

Grau de certeza sobre investimentos

As empresas industriais também foram consultadas sobre o grau de certeza quanto à execução do plano de investimentos nos 12 meses seguintes.

No primeiro trimestre, a proporção de empresas certas quanto à execução do plano de investimentos foi de 33,4%, superando a parcela de 19,2% de empresas incertas. O saldo de 14,2 pontos percentuais representa o melhor resultado desde o 4º trimestre de 2015.

Para a FGV, “o resultado geral da pesquisa reforça o cenário mais favorável ao investimento que vinha se desenhando nos últimos meses. Houve avanço da intenção de realização de investimentos e redução da parcela de empresas incertas para o segundo menor valor da série. Ainda assim, há que se considerar os riscos ainda elevados no ambiente político com potencial para afetar de alguma forma o ambiente econômico levando a reavaliações sobre dos programas de investimento”.

PIB de 2017

volume de investimentos recuou 1,8% em 2017, para cerca de R$ 1 trilhão. Com isso a taxa de investimento, ou seja, o percentual do valor investido sobre o PIB, ficou em 15,6% em 2017, a menor da série histórica do IBGE. No ano anterior, o índice foi de 16,1%.

O resultado da taxa de investimento tem sido a menor da série porque 52,2% do investimento na economia brasileira vem da construção civil, que ainda não se recuperou da crise e continua a encolher.

Apesar do redução do investimento no ano, houve crescimento do investimento no quarto trimestre de 2017, após 14 quedas consecutivas. A taxa de investimento foi de 15,7%, acima da taxa de 15,3% observada no 4º trimestre de 2016.

                      

Fonte: G1, 16 de março de 2018