O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, abordou a proposta do fim da escala 6×1 em discussão no Congresso durante entrevista exclusiva ao ICL Notícias 1ª edição desta quinta-feira (2). Ele afirmou que o debate não deve se restringir à desoneração de empresas.

“Não dá para resolver a questão da escala 6×1 apenas desonerando empresas; é preciso olhar para o trabalhador, que é a mola da economia, e garantir que ele não seja explorado”, disse.

Sem mencionar o nome de Tarcísio de Freitas, ele criticou a visão do atual governo de São Paulo, que, segundo ele, favorece o capital em detrimento do trabalhador e da sociedade, defendendo políticas que equilibrem crescimento econômico e justiça social.

“O governador demonstra pouca preocupação com o trabalhador; ele privilegia exclusivamente o capital, sem se preocupar com quem mantém a economia funcionando.”

Violência contra a mulher: SP lidera feminicídio

Haddad também comentou a situação de violência contra a mulher no estado, que lidera o país em casos de feminicídio.

Ele criticou a redução de recursos para políticas públicas voltadas à proteção das mulheres e a falta de ações preventivas, destacando a necessidade de educação, conscientização e programas especializados para enfrentar o problema.

“Não há prevenção. Nenhuma política pública de prevenção foi implementada no estado. Se não envolver educação e conscientização, esses indicadores não vão cair”, disse.

Sabesp e privatizações

O pré-candidato posicionou-se contra a privatização da Sabesp, companhia de saneamento e abastecimento do estado, e criticou a condução do atual governo em contratos de concessão de água e esgoto, afirmando que medidas como essa aumentam custos e pioram a qualidade dos serviços prestados à população.

“Não devia privatizar. Eu defendi veementemente em 2022 que a Sabesp não fosse privatizada, porque a experiência internacional mostra que a privatização do saneamento não dá certo”, frisou Haddad.

“O governador disse que ia estudar, mas três meses depois anunciou a privatização. Ele não estudou; se tivesse estudado, poderia ter feito um contrato diferente com a nova concessionária”, apontou.

“Privatizar é impor um custo alto para as pessoas que dependem desses serviços e não tinham outra alternativa. É algo que precisa de foco e responsabilidade.”

Transporte e pedágios

Haddad apontou que a privatização das linhas do CPTM e do Metrô e os altos pedágios estaduais oneram trabalhadores que dependem do transporte diário. Segundo ele, São Paulo se tornou um “pedágio político”, sem foco nas necessidades reais da população.

“O pedágio imposto nas estradas obriga o trabalhador a pagar um custo que muitas vezes não tinha, porque não há alternativas viáveis para chegar ao trabalho”, disse.

Educação e escolas cívico-militares

O ex-ministro criticou o modelo de escolas cívico-militares, defendendo que a gestão escolar seja organizada por professores, alunos, famílias e comunidade. Ele destacou iniciativas de expansão de institutos federais e programas de educação profissional como exemplos de políticas eficazes.

“Nunca vi um educador defender militar dando aula. Tirar um militar da rua para gerir uma escola que ele nunca estudou vai piorar a educação”, apontou.

“Vá na França, Inglaterra, Estados Unidos… em nenhum lugar do mundo escolas cívico-militares melhoraram a educação. É uma ilusão vendida para as pessoas”, disse.

ICL NOTÍCIAS 

https://iclnoticias.com.br/economia/escala-6x1-trabalhadores-haddad/


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