Duas semanas após a entrada em vigor do tarifaço deflagrado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra parceiros comerciais — incluindo uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros —, os sinais de desaceleração econômica global se intensificam. O aumento do protecionismo norte-americano elevou a incerteza nos mercados e começa a afetar diretamente as projeções de crescimento de diversas economias, em especial as emergentes.

O impacto mais imediato foi sentido nas expectativas do Banco Mundial, que revisou para baixo sua previsão de crescimento global em 2025, de 2,7% para 2,3% — a menor taxa esperada em 17 anos, excetuando-se as recessões de 2009 e 2020. Entre os mercados emergentes, o corte foi de 0,3 ponto percentual, reduzindo a projeção de avanço de 4,1% para 3,8%.

Apesar de o Brasil ser uma economia relativamente fechada e contar com uma lista de 694 exceções no pacote tarifário de Trump, o efeito indireto é inegável.

Dados recentes reforçam o alerta. O IBC-Br, indicador do Banco Central que antecipa a tendência do PIB brasileiro, registrou queda de 0,1% em junho. Embora o semestre ainda acumule crescimento de 1,8%, o ritmo desacelera visivelmente após um primeiro trimestre mais aquecido.

Para analistas, as incertezas causadas pela política comercial de Trump são um dos principais obstáculos ao investimento produtivo. A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) destaca que o investimento líquido nas economias desenvolvidas caiu de 2,5% para 1,6% do PIB (Produto Interno Bruto) desde a crise de 2008. A recente ofensiva tarifária apenas reforça esse compasso de espera entre empresas.

Tarifaço de Trump também afeta o ambiente institucional dos EUA

A insegurança também se estende ao ambiente institucional nos EUA. A demissão da chefe da Secretaria de Estatísticas do Trabalho (BLS), o equivalente ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), após divulgação de dados fracos do mercado de trabalho, somada à retórica infundada sobre manipulação de números, ampliou a volatilidade.

Agências de classificação de risco, como a Moody’s, também já rebaixaram suas expectativas para diversas economias, alertando para o risco de “volatilidade e mudanças abruptas” no cenário financeiro e comercial. Em seu relatório, a agência aponta que os efeitos do novo protecionismo norte-americano podem ser mais duradouros do que os choques provocados pela pandemia de Covid-19.

Com o dólar sob escrutínio e a confiança global abalada, analistas alertam que a política tarifária de Trump pode ter efeitos contrários ao pretendido.

Para economias emergentes, o resultado prático é um ambiente mais hostil: menor entrada de capital, pressão cambial e juros externos elevados. Ou seja, o tarifaço vai fazer sangrar tanto o comércio quanto as finanças globais, sendo ruim para todo mundo, incluindo o Brasil.

ICL NOTÍCIAS
https://iclnoticias.com.br/economia/tarifaco-freio-no-crescimento-global/


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