Deficit foi de R$ 1,486 bi, segundo RF; para economista, dados mostram que atividade econômica do Estado cresceu, mas atividade financeira caiu.

A arrecadação da Receita Federal no Paraná cresceu 8,46% em dezembro de 2017, o que não foi suficiente para reverter o deficit do ano, que ficou em R$ 1,486 bilhão (-2,34%). Em 2017, a Receita arrecadou R$ 62,080 bilhões, contra R$ 63,566 bilhões em 2016. No último mês do ano passado, a Receita arrecadou R$ 6,174 bilhões, R$ 481 milhões a mais que no mesmo mês do ano anterior, quando o valor arrecadado foi de R$ 5,693 bilhões. Os números, corrigidos pela inflação, foram divulgados pela Superintendência da Receita Federal do Brasil na 9ª Região Fiscal. 

Segundo a auditora fiscal da Receita Federal do Brasil na 9ª Região, Giovana Longo, a alta na arrecadação no mês de dezembro de 2017 se deve à melhora na arrecadação previdenciária. "E também foi um mês que teve um crescimento bastante grande no montante de débitos compensados, o que significa que as empresas estão se recuperando e tiveram lucro, o que faz com que os débitos anteriores pudessem ser compensados", pontua. 

Outros fatores que influenciaram no aumento da arrecadação em dezembro foram o crescimento nominal da arrecadação de tributos relacionados à importação; o acréscimo na arrecadação de IRPJ/CSLL (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica/ Contribuição Sobre o Lucro Líquido); ao resultado do PIS/Cofins (exceto importação); e ao aumento nas demais receitas e acréscimos legais. 

Para o economista e delegado do Corecon PR (Conselho Regional de Economia do Paraná), subsede Londrina, Marcos Gabriel, a queda na arrecadação da Receita Federal no Paraná em 2017 mostra que a economia do Estado cresceu, porém houve redução na atividade financeira. "Houve melhoria da atividade econômica, houve melhoria da massa salarial, mas toda a queda de arrecadação foi originada por redução na atividade financeira." 

                           

                       

Conforme observa o economista, houve aumento da arrecadação que depende da atividade industrial e dos impostos que incidem sobre a importação e a exportação. "Analisando a variação de arrecadação que depende da atividade industrial, houve incremento de R$ 539 milhões, ou seja, a economia do Estado cresceu. Também houve incremento de impostos que incidem sobre a importação e exportação, evidenciando também recuperação da atividade econômica." 

Porém, houve queda na arrecadação do IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) de Entidades Financeiras, na ordem dos R$ 121 milhões, e do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o capital, de R$ 1,2 bilhão. "Outro imposto que teve queda foi o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), na ordem de R$ 698 milhões, e o Cofins, que apesar de ter tido variação positiva de R$ 508 milhões, teve decréscimo de R$ 383 milhões de reais sobre a atividade financeira", continua Gabriel. 

O economista lembra ainda que, em 2016, o Bradesco comprou o HSBC, cuja sede ficava em Curitiba. "Com a sede do banco saindo do Paraná, a geração de arrecadação de operações financeiras passou a ser contabilizada na nova sede, reduzindo a arrecadação de tributos federais no Paraná." 

                 

Brasil 

Depois de três anos em queda, a arrecadação de impostos e contribuições federais voltou a crescer acima da inflação em 2017. De acordo com dados da Receita Federal, o órgão recolheu R$ 1,34 trilhão em 2017, um aumento real de 0,59% e o maior valor registrado desde 2015. Em dezembro, a arrecadação somou R$ 137,84 bilhões, alta real de 4,93% em relação ao mesmo mês de 2016. O montante arrecadado foi o melhor para meses de dezembro desde 2014.

                         

Fonte: Folha de Londrina, 31 de janeiro de 2018