Nos últimos seis anos, número de empreendimentos triplicou nas cidades vizinhas da Capital.

Procura por imóveis nas cidades vizinhas vem crescendo desde 2011 (foto: Franklin de Freitas)

                          

Comprar um imóvel em Curitiba, cidade cada vez mais inchada e com menos terrenos disponíveis, é um sonho cada vez mais distante para a maior parte da população paranaense. Com uma renda per capita média de R$ 1.241, segundo dados do IBGE, são poucos os que conseguem bancar o preço médio de R$ 7.090,00 por metro quadrado de um apartamento novo na cidade. Àqueles que trabalham na Capital, então, uma opção viável e cada vez mais adotada tem sido investir na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). 

Um forte indício disso consta no Perfil Imobiliário 2017, divulgado há cerca de duas semanas pela Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR) e pelo Sinduscon-PR, em parceria com a Brain Bureau de Inteligência Corporativa. Segundo o estudo, os lançamentos na RMC foram os que menos sofreram o impacto da recente crise econômica no país.

Apenas em 2017 foram lançados 127 empreendimentos e disponibilizadas 11.558 unidades, com os municípios de São José dos Pinhais (5.067 unidades), Campo Largo (3.040 unidades) e Colombo (1.262 unidades) apresentando a maior oferta lançada de moradias novas e, respectivamente, o maior volume de imóveis em estoque. Para efeito de comparação, entre 2007 e 2009 foram colocados à venda 20 grandes empreendimentos, enquanto entre 2010 e 2011 esse número havia chegado a 47.

De acordo com o presidente da Ademi-PR, Jacirlei Soares Santos, tal cenário se deve, em grande parte, ao fato de os empreendimentos formados por apartamentos com preço até R$ 400 mil corresponderem a quase 90% do mercado de lançamentos imobiliários na RMC, o que atrai um maior número de possíveis compradores.

A isso, soma-se ainda uma série de intervenções feitas na região ao longo dos últimos anos, como a melhoria de infraestrutura das rodovias da Ribeira e da Uva, a duplicação da BR-116 e a construção de novos terminais de ônibus em Colombo e Fazenda Rio Grande, o que acaba por tornar mais atrativo morar nesses locais diante da facilidade de deslocamento.

“Na Região Metropolitana, essa resiliência deve-se ao fato de o mercado ter como foco a habitação popular. Hoje, Fazenda Rio Grande é o município que absorve a demanda de Curitiba por habitações no Minha Casa Minha Vida, em função da inviabilidade de lançamentos na cidade pelo alto custo dos terrenos. Já no caso dos imóveis horizontais, essa menor volatilidade é assegurada pela baixa oferta de imóveis para a venda em Curitiba”, avalia Soares.

                    

Virando o jogo

Se a procura por imóveis está em alta nos municípios da Grande Curitiba, é natural também que a população dos municípios que compõem a Região Metropolitana também esteja crescendo. Atualmente, segundo estimativa do IBGE, das 3.572.326 pessoas que moram na RMC, 1,9 milhão estão em Curitiba. A tendência, contudo, é que os municípios vizinhos ‘virem o jogo’ na próxima década.
Os cálculos do Ipardes apontam que a soma dos habitantes dos 28 municípios que compõe a RMC vão ultrapassar Curitiba em 2029: 1.974.408 contra 1.973.507.

               

Fonte: Bem Paraná, 04 de janeiro de 2018