Dados do Perfil Imobiliário 2017 mostram aumento no número de lançamentos e revelam tendências de consumo para o próximo ano

Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

                      

Pela primeira vez desde 2011 a retrospectiva do mercado imobiliário de Curitiba foi positiva: o número de lançamentos cresceu com relação ao ano anterior. A alta foi de expressivos 48,7% em unidadeslançadas e de 10,3% em empreendimentos. O mercado também teve alta de 5,7% no preço médio do metro quadrado para apartamentos novos com relação ao mesmo período do ano passado, registrando R$ 7.090 em setembro de 2017 e superando a média da inflação, que ficou em 2,5%.

Os dados foram revelados no Perfil Imobiliário 2017, pesquisa anualmente realizada pela Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi/PR) com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR) e Brain Bureau de Inteligência Corporativa.

Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

                 

Em Curitiba, a pesquisa revelou que Centro, Ecoville e Portão foram os bairros com a maior quantidade de lançamentos, totalizando 36% dos imóveis que foram colocados à venda no ano. Já com relação aos alvarás liberados para construção, a Região Norte ficou em primeiro lugar, com 687 unidades, seguida da Linha Verde (566 unidades) e da Região do Ecoville/Champagnat (458 unidades). Com base nesses dados, as perspectivas para 2018 são de retomada do setor, prometendo uma alta ainda maior.

Para quem procura imóvel novo para comprar, os menores preços do m² estão nas regiões da Linha Verde (Pinheirinho, Capão Raso, Novo Mundo, Xaxim, Fanny, Hauer, Parolin, Prado Velho, Guabirotuba e Jardim Botânico), Região Norte (Abranches, Atuba, Bacacheri, Bairro Alto, Barreirinha, Boa Vista, Cachoeira, Pilarzinho, Santa Cândida, São Lourenço, Taboão, Tarumã e Tingui) e Região Sul (principalmente Boqueirão e Umbará).

                          

Preço médio

Veja as regiões com o maior e menor preço médio do m² privativo para apartamentos novos em Curitiba.

                

Maiores preços

Menores preços


*As regiões são definidas a partir do agrupamento de bairros semelhantes pelo Perfil Imobiliário 2017

Fonte: Ademi/PR, Sinduscon/PR e Brain. Infografia: Gazeta do Povo.

                   

Empreendimentos de médio-luxo e econômicos

Diretor de relações institucionais da Ademi/PR, Marcelo Gonçalves aponta que o crescimento do setor foi maior em dois segmentos: no de médio-luxo, com apartamentos de até R$ 1 milhão, e no econômico – que, por concentrar um maior número de unidades por empreendimento, explica o crescimento nesse quesito. “Tivemos aumento da participação dos imóveis enquadrados no programa Minha Casa Minha Vida muito em decorrência do reposicionamento do programa, que elevou o preço dos imóveis para até R$ 215 mil na cidade. Isso facilitou a viabilização dos produtos e fez com que alguns empreendimentos reduzissem seu preço para que pudessem se encaixar no programa”, acrescenta Fábio Tadeu Araújo, sócio-diretor da Brain Bureau de Inteligência Corporativa.

Outro fator que influenciou o aquecimento do mercado, de acordo com Gonçalves, foi a nítida volta da confiança da população na economia. “As pessoas começam a ver menos desemprego e a acreditar que a economia pode melhorar, então elas procuram novos financiamentos, que vão estar mais fáceis pela baixa da taxa de juros, e conseguem adquirir seu imóvel próprio”, explica.

Ecoville continua entre as regiões mais valorizadas da capital. Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Ecoville continua entre as regiões mais valorizadas da capital. Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

                      

Região Metropolitana

As cidades da Região Metropolitana de Curitiba também apresentaram crescimento, com representatividade grande principalmente no nicho econômico: 90% dos lançamentos nessas cidades são empreendimentos com unidades até R$ 400 mil, somando 127 edifícios e 11.558 unidades. As campeãs foram São José dos Pinhais (5.067 unidades), Campo Largo (3.040 unidades) e Colombo (1.262 unidades), que também apresentam o maior volume de imóveis em estoque.

Essa característica é um reflexo do aumento do preço dos terrenos em Curitiba, segundo Gonçalves: como a população que adquire imóveis na linha econômica não conseguiu mais fazer essa aquisição na capital, os empreendimentos migraram para a região metropolitana. “Exatamente por essa relação de custo e escassez do terreno, você pode ver que a Fazenda Rio Grande acabou se transformando na cidade com maior migração populacional, para poder atender a esse público. Houve um maior número de lançamentos e automaticamente um maior consumo numa cidade vizinha como Fazenda. Fora isso, todas as cidades limítrofes à capital conseguiram perceber esse movimento”, relata.

                       

Segurança como prioridade

No que diz respeito ao comportamento de consumo do mercado, a segurança do imóvel e do bairro onde ele está localizado desponta entre as prioridades dos futuros moradores na hora da compra. “A segurança sempre esteve nas primeiras posições entre os fatores que pesam na decisão de compra. Antes, no entanto, ela era vista mais como um item de diferenciação entre os imóveis. Agora, ela ficou mais explicitada e isolada como fator preponderante”, destaca Araújo.

Os demais itens que figuram entre os fatores mais relevantes para os compradores seguem dentro do tradicional tripé composto por localização, preço e qualidade do imóvel.

Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo/Arquivo

                    

Perspectivas

O diretor de Incorporações do Grupo Thá, Marcello Thá, reitera essa expectativa para o ano que vem. “A Thá se antecipou à previsão de melhora macroeconômica no país: foram três lançamentos em 2017, que tiveram um resultado excepcional. Por isso, para o ano que vem, a Thá tem 10 lançamentos programados”, revela. Esse volume de lançamentos prevê um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 600 milhões para o Grupo. Neste ano, o faturamento já cresceu em 20%, passando de R$ 150 para R$ 190 milhões.

Gonçalves explica que uma das consequências que a baixa de seis anos trouxe ao mercado foi uma maior precaução no planejamento dos imóveis, impactando os novos projetos. “Os empreendimentos lançados agora são mais bem pensados, com projetos mais bem feitos. Isso vai trazer uma nova leva de produtos de altíssima qualidade para o município”.

Para 2018, a previsão é promissora e estimulada pelo consumo do estoque de imóveis durante o ano de 2017. “Eu vejo nosso mercado como tendo muita oportunidade para o comprador, com produtos novos de qualidade que você pode comprar para se mudar amanhã, mas também para aquele que gosta de se planejar. A gente vê um mercado que volta a se equilibrar e que oferece oportunidades boaspara as pessoas fazerem a aquisição”, completa.

                                

Fonte: Gazeta do Povo, 04 de janeiro de 2018