Eduardo Knapp/Folhapress
Sao Paulo, SP, BRASIL, 08-11-2017: Especial Reforma Trabalhista. Retrato do empresario Flavio Rocha (dono da Riachuelo) no jardim de sua residencia no Jardim Europa (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress, MERCADO).
Dono da Riachuelo diz que trabalhadores não são contra novas regras

Assim que a reforma trabalhista entrar em vigor, no dia 11, Flavio Rocha, dono da Riachuelo, pretende colocá-la em prática na empresa.

Os negócios de Rocha abrangem desde a indústria têxtil até o varejo, que é onde estão as principais vantagens das novas regras.

"Quando você tenta gerir uma rede de varejo dentro da rigidez [da lei anterior], você fica com muita gente ociosa na segunda-feira, na terça, na quarta. Mas fica com um serviço deficiente na sexta, no sábado e no domingo", afirma o empresário.

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Folha - Os opositores da reforma afirmam que pontos como terceirização e trabalho intermitente vão fragilizar o trabalhador. O que o sr. pensa?
Flavio Rocha - Os trabalhadores não se mobilizaram nesse sentido. A burocracia trabalhista está isolada falando só em causa própria. Essa causa não é a proposta dos trabalhadores.

Os críticos também dizem que as novas regras vão pressionar para baixar os salários e, com isso, desencadear uma redução no consumo.
Quem paga o preço dessa irracionalidade e burocracia é o consumidor, por meio de preços e desemprego. É ela que gera menos demanda por mão de obra. Estamos aprendendo que o único caminho para conquistas é a prosperidade.

A prevalência do negociado sobre o legislado é outro ponto polêmico das mudanças. O que o sr. espera?
O bom sindicalismo vai se fortalecer.

Eles já estão conseguindo assinar cláusulas de salvaguarda nas convenções anteriores à entrada em vigor da reforma. Isso preocupa o empresariado?
Eu acho que isso é desobediência civil. Quem quiser legislar tem que se candidatar a deputado ou senador. É sobreposição de Poderes. A lei está aí e esperamos que ela seja cumprida.

Como a sua empresa, que está em todos os elos da cadeia de moda, pretende aproveitar a reforma?
O anacronismo da lei trabalhista era mais perceptível no setor de serviços, que se transformou no grande empregador nas últimas décadas. Estávamos vivendo a era Getúlio Vargas em termos de legislação. Naquela época, a única expectativa de emprego formal era na indústria, com toda a sua rigidez e horários fixos.

Hoje, a indústria representa menos de 9% dos empregos. Os serviços, que têm uma característica completamente diferente, respondem por 75%. Serviços têm que ser prestados na hora em que o cliente quer, nos fins de semana. Por isso a jornada flexível e o trabalho intermitente são imprescindíveis.

Quando vamos ver os efeitos na prática? No Natal? Ou na semana que vem já veremos algum efeito?
Existe um esforço de ameaça e intimidação. Mas nós já vamos colocar em prática. Porque nós estamos ao lado da lei. Quando você tenta gerir uma rede de varejo dentro da rigidez, você fica com muita gente ociosa na segunda-feira na terça, na quarta. Mas fica com um serviço deficiente na sexta no sábado e no domingo. 

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Fonte: Folha de S.Paulo, 13 de novembro de 2017.

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