Pesquisa que mostrará o que é, hoje, a sociedade brasileira, começa com deficit de pessoal, depois de adiamento e corte orçamentário

CB
Correio Braziliense

As entrevistas do Censo Demográfico começaram, ontem, em todo o país, mas o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda tenta recrutar 15 mil funcionários temporários para chegar ao número ideal estimado de 183 mil recenseadores. O diretor de pesquisas da instituição, Cimar Azeredo, disse que é normal iniciar a pesquisa com algum deficit de equipe, mas admitiu que, dessa vez, a falta de entrevistadores supera a das últimas edições.

Cimar atribuiu o problema à pandemia de covid-19 e aos dois adiamentos da pesquisa. "Como acontece com todos os Censos, a gente nunca começa com a quantidade de recenseadores previstos. Isso é inerente", disse o diretor do IBGE, na abertura da pesquisa que mostrará o que é, hoje, a sociedade brasileira.

Questionado sobre as dificuldades do Censo deste ano, Cimar reconheceu: "A gente vem de dois adiamentos, de uma pandemia e de uma possibilidade de modalidade mista de coleta", justificou.

Para amenizar os problemas, Cimar disse que inovações tecnológicas, como o envio das informações para o sistema do IBGE diretamente dos domicílios visitados, vão facilitar a operação, minimizando falhas como o recrutamento de menos recenseadores do que o previsto. Sobre o risco de tempo maior na coleta, ele afirmou que o IBGE fará "o possível para isso não acontecer".

"Estamos em um trabalho de reposição, de treinamento", completou. Ele disse, ainda, esperar que o Censo deste ano seja o mais preciso da história da pesquisa decenal, com índice de não captação na casa dos 8%, considerando recusas às entrevistas, domicílios fechados e demais obstáculos.

Polarização

Cimar disse, ainda, que a instituição está atenta ao fato de que o levantamento corre paralelamente às eleições de outubro, por ora marcada pela polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, os recenseadores foram orientados a não tocar no assunto.

"É preciso tirar o Censo disso, para que seja encarado como uma campanha de Estado. É o IBGE num canto e eleição no outro. É fundamental que a população veja que benefício vai trazer, independentemente do governo", afirmou.

Apesar de Cimar propor uma equidistância entre o Censo e a corrida presidencial, Bolsonaro posou, ontem, vestindo um colete do IBGE, apesar de ter cortado o orçamento para a realização da pesquisa e de tê-la adiado do ano passado para este. Ao lado do presidente da entidade, Eduardo Luiz Gonçalves Rios Neto, disse, também, ter sido o primeiro entrevistado deste ano.

O IBGE conta com R$ 2,3 bilhões para realizar o Censo, montante definido em 2019 pelo Ministério da Economia e já transferido à entidade. Além de reduzido em relação à primeira estimativa de custo da operação, a verba ficou defasada devido à inflação de itens muito utilizados na logística dos recenseadores, como a gasolina.

Outra preocupação do IBGE é referente às mentiras que serão divulgadas a respeito da pesquisa. Cimar salientou que o IBGE está atento a elas e pronto para rebatê-las. "As fake news vão aparecer, e vamos ter de derrubar cada uma delas", disse. A fim de evitar boatos de não apuração de domicílios, a população não visitada até outubro será instada por uma campanha publicitária a ligar para um número de três dígitos e marcar a entrevista e a contabilização de seus dados na pesquisa.

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