Paralisações serão de uma hora e no dia 20 haverá paralisação geral

                                     

Os ônibus de Curitiba vão parar pelo menos dez vezes durante o mês de setembro em protesto à crescente onda de violência contra motoristas e cobradores na cidade e na região metropolitana. De acordo com o Sindimoc, sindicato que representa a categoria, estão planejadas dez paralisações de uma hora até o próximo dia 19 em diferentes áreas da capital. Já no dia 20, está programada uma paralisação geral, afetando todas as linhas.

O anúncio foi feito na sequência de mais um caso de violência. Na noite de sexta-feira (1º), um cobrador foi morto após levar dois tiros na cabeça enquanto fazia a linha Gramados, no bairro Capão Raso. Diante do ocorrido, o sindicato decidiu fazer uma nova mobilização para chamar a atenção dos órgãos públicos para a questão, como explicou o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira.

De acordo com o cronograma, os protestos devem começar a partir desta terça-feira (05), com uma paralisação agendada para as 9h para as linhas que passam pela região central — ou seja, pelas praças Rui Barbosa, Carlos Gomes, Osório, Zacarias e Tiradentes, além daqueles que passam pela Travessa Moreira Garcez e na Rua Nestor de Castro. Em outros dias, é a vez de outros bairros serem afetados. Os atos acontecem sempre às 9h e às 15h.

O sindicato explica que os ônibus chegarão aos terminais de cada uma dessas regiões e ficarão parados por uma hora. No caso do Centro, a paralisação acontece quando o veículo chega às praças e pontos da região. O ato não será realizado durante os fins de semana e nem mesmo durante o feriado de 7 de setembro.

Além disso, no dia 20, está agendado um ato principal que também vai parar todo o transporte público. Nesse dia, às 15h, motoristas e cobradores vão se reunir na Praça Rui Barbosa, no Centro, para realizar uma caminhada pedindo paz e segurança. “A gente quer ter o direito de trabalhar. Sair de casa e ter a certeza de que vai voltar são e salvo. Hoje, o trabalhador se despede como se estivesse indo para a morte — e é isso que precisa mudar”, aponta Teixeira.

O sindicato estuda ainda a possibilidade de fazer uma greve geral caso uma solução não seja apresentada pela Urbs. A definição sobre essa greve será feita em uma reunião no dia 21 de setembro.

Enquanto isso, a Urbs informa que não foi informada oficialmente a respeito disso e não possui nenhum projeto concreto para a instalação de câmeras nos coletivos. Além disso, adianta que acompanhará as paralisações e tomará providências necessárias junto às empresas de transporte coletivo na tentativa de evitar que a população seja prejudicada.

Essa não é a primeira vez que o Sindimoc paralisa a circulação de ônibus em Curitiba por causa da violência na cidade. Em julho, a categoria fez um ato semelhante após a morte do cobrador Edmilton José de Melo, assassinado durante um arrastão na linha Curitiba /Jd. Paulista. Na ocasião, a parada de 1 hora gerou filas e complicou o trânsito em toda a cidade.

                       

Setransp vai descontar horas

O sindicato que representa as empresas de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) anunciou que vai descontar as horas não trabalhadas por causa dos protestos programados para os próximos dias. Assinado pelo presidente do Setransp, Maurício Gulin, o ofício enviado ao Sindimoc destaca que a suspensão das atividades é irregular, pois não foi comunicada com 72 horas de antecedência e não há garantia de funcionamento de frota mínima.

“A preocupação com a segurança é um dever de todos e todos devemos lutar para acabar ou pelo menos diminuir drasticamente os assaltos, agressões físicas e assassinatos. Porém, a população não suporta mais tantas paralisações, com vultosos prejuízos a toda a sociedade: usuários, comércio, indústria, etc. e, também às empresas operadoras”, aponta o sindicato das empresas. “Diante de mais essa paralisação feita ao arrepio da lei, comunicamos ao Sindimoc que as horas não trabalhadas serão descontadas ou ao menos compensadas”.

                                      

Cronograma de paralisações

                          

05/09 (Terça-feira)

9h - Paralisação de 1 hora no Anel Central - Todos os ônibus que têm ponto nas Praças Rui Barbosa, Carlos Gomes, Osório, Zacarias e Tiradentes, Travessa Moreira Garcez e Rua Nestor de Castro.

06/09 (Quarta-feira)

15h - Paralisação de 1 hora no Anel Central (Praças Rui Barbosa, Carlos Gomes, Osório, Zacarias e Tiradentes, Travessa Moreira Garcez e Rua Nestor de Castro)

11/09 (Segunda-feira)

9h - Paralisação de 1 hora GERAL

15h - Paralisação de 1 hora GERAL

12/09 (Terça-feira)

9h - Paralisação de 1 hora nos Terminais: Pinheirinho, CIC, Sítio Cercado, Boqueirão, Carmo, Hauer, Capão Raso e Portão

13/09 (Quarta-feira)

15h – Paralisação de 1 hora nos Terminais: Campo Comprido, Campina do Siqueira, Santa Felicidade, Caiua e Fazendinha

14/09 (Quinta-feira)

9h – Paralisação de 1 hora nos Terminais: Campo Comprido, Campina do Siqueira, Santa Felicidade, Caiua e Fazendinha

15/09 (Sexta-feira)

15h - Paralisação de 1 hora nos Terminais: Pinheirinho, CIC, Sítio Cercado, Boqueirão, Carmo, Hauer, Capão Raso e Portão

18/09 (Segunda-feira)

9h - Paralisação de 1 hora nos Terminais: Santa Cândida, Boa Vista, Cabral, Barreirinha, Bairro Alto, Capão da Imbuia, Centenário e Oficinas

19/09 (Terça-feira)

15h - Paralisação de 1 hora nos Terminais: Santa Cândida, Boa Vista, Cabral, Barreirinha, Bairro Alto, Capão da Imbuia, Centenário e Oficinas

20/09 (Quarta-feira)

15h - Ato na Praça Rui Barbosa e passeata


Fonte: Gazeta do Povo, 05 de setembro de 2017