Por Mariana Ribeiro, Valor — Brasília

As previsões indicam que em meados de dezembro o país retomará aos níveis de distanciamento social observados em fevereiro, disse há pouco o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida. Ele reforçou a visão de que o desemprego deve cair em 2021, principalmente a partir do retorno do emprego informal com a redução do distanciamento.

“A partir de janeiro, se tudo correr como estamos imaginando, vamos ter o retorno seguro ao trabalho”, disse em live promovida pelo Banco Safra, frisando que são projeções realizadas sob a ótica econômica. Ele afirmou ainda que alguns Estados já estão “próximos da imunidade de rebanho quando usada a linha de corte de 20%”.

Com a crise, inevitavelmente a pobreza subirá no país, disse, acrescentando que isso exigirá programas sociais mais robustos. Para viabilizá-los, o secretário defendeu uma realocação de recursos dentro do orçamento, com "menos repasses para os mais ricos”. “Faz sentido quem ganha R$ 30 mil e não pode ser demitido ter 60 dias de férias?”, questionou.

Em sua fala, Sacshida voltou a dizer que a economia deve ter uma injeção de cerca de R$ 138 bilhões de recursos até dezembro, como publicado hoje pelo Valor. O principal elemento é o auxílio emergencial.

Há R$ 14 bilhões remanescentes da primeira leva de benefícios (R$ 600) e R$ 59 bilhões de sua extensão em valor menor (R$ 300). Também estão na conta R$ 15 bilhões que ainda não foram sacados do saque emergencial do FGTS e uma entrada de R$ 50 bilhões em recursos do auxílio economizados pelas famílias.

Além do desemprego, outros desafios a serem enfrentados na retomada da economia, afirmou o secretário, são as questões fiscais e de crédito. De acordo com ele, há “confiança no mercado” de que o país vai voltar “aos trilhos” no que diz respeito às contas públicas. Se o governo gastar mais, “como alguns querem”, a situação não vai melhorar, e sim piorar, defendeu.

A estratégia de consolidação fiscal, afirmou, é de interesse inclusive da população de baixa renda, pois permite a manutenção de juros baixos, deixa a inflação sob controle e melhora as condições de empregabilidade.

Ele defendeu o avanço da agenda legislativa, com pautas como reforma administrativa e modernização de marcos regulatórios, e também de privatizações. Ele negou que haja demora no avanço de concessões e privatizações. Mesmo em governos passados, esses projetos caminharam com mais intensidade na segunda metade dos mandatos, disse.

Escolhas

Sachsida afirmou ainda que a retomada do emprego é um dos desafios para a recuperação da economia e a sociedade precisará “fazer escolhas”, via Congresso Nacional, no que diz respeito ao mercado de trabalho formal.

De acordo com ele, uma redução de 10% no custo de contratação poderia levar a um aumento de 3% no emprego formal. Se essa redução se der na contratação de trabalhadores de baixa qualificação, a alta no emprego formal seria de 8%.

“Os custos dificilmente encontram paralelos em outros países”, disse o secretário em live promovida pelo Banco Safra. A ampliação das possibilidades de trabalho aos domingos é um dos assuntos que poderão ser endereçados ao Congresso, acrescentou. A proposta de diminuir os custos de contratação faz parte das diretrizes do ministro da Economia, Paulo Guedes, mas enfrenta resistência.

Sachsida defendeu também uma agenda de modernização das normas regulamentadores de saúde e segurança, com o objetivo de "aumentar o emprego e a produtividade". Na avaliação do secretário, é possível flexibilizar essas normas mantendo a segurança do trabalhador.

Ele reforçou ainda a visão de que o desemprego deve cair em 2021, principalmente a partir do retorno do emprego informal.