O economista critica como intelectuais de todo o mundo minimizam a importância da relação capital-trabalho, dando adeus ao proletariado, já que, supostamente, só existirão “empreendedores”.

A edição 159 da revista Princípios chega às mãos dos leitores com uma nova proposta editorial. Com quase quatro décadas de existência, a revista renova seu formato, perfil e conselho editorial para se inserir no debate nacional qualificada para os desafios da nova ordem política e econômica.

Foi com este tom que a nova edição foi lançada neste início de setembro (3), com apresentação dos envolvidos na empreitada, sob a mediação da socióloga Ana Prestes, também editora-executiva da revista. 

O economista da UFBA, Renildo Souza, que coordenou o dossiê Trabalho e Proletariado do século XXI na edição 159, disse que a revista chega num momento em que a luta de ideias ganhou muita importância decisiva na vida política no país e no mundo.

Para ele, é sintomático que esse número 159, que marca essa mudança de qualidade na revista, venha com um dossiê sobre o trabalho. “O trabalho é um tema central em relação a sociedade, a economia e a política, embora certos entendimentos subestimem e não percebam a vigência da centralidade do trabalho nos dias de hoje”. 

Algumas questões fundamentais desse dossiê, destaca Souza, são as principais mudanças no mundo do trabalho desde 1980: como afetaram a estruturação de classes, como afetaram as lutas dos trabalhadores e como se dá essa reconfiguração do proletariado no século XXI. “Tratamos criticamente dessa nova onda de adeus ao trabalho, à luz dos Grundrisse, da financeirização, da questão de gênero, da novidade do trabalho por plataformização, e da reorganização do trabalho dos professores. É um bom começo para essa nova etapa”, declarou.

Diz ainda que, por um lado, se associa o suposto fim do trabalho ao desenvolvimento da ciência e tecnologia, por outro, se percebe uma exacerbação de novas formas de exploração da classe trabalhadora. Ele observa que, desde os 1980, fala-se do fim do proletariado a partir da compreensão de que entrávamos numa sociedade pós-industrial. “Agora, esse debate se radicalizou. Estão difundindo teses sobre uma suposta sociedade do pós-emprego, do pós-trabalho assalariado. Não é mais o fim apenas do trabalho fabril, mas do próprio trabalho assalariado, do desaparecimento da figura do empregado e do empregador e da relação capital-trabalho”, avaliou. 

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Vermelho