O percentual de famílias endividadas no Brasil chegou a 65,5% em dezembro de 2019. É o maior patamar desde 2010, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O cartão de crédito tem sido a principal causa de endividamento das famílias brasileiras.

Ao longo do ano passado, aumentou também o percentual de famílias inadimplentes que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas. Em janeiro de 2019 esse percentual era de 9,1%. Mas, no final do ano, esse valor subiu para 10%, segundo a CNC. A pesquisa mostra que em relação a 2018 este número também está mais alto e que o tempo médio de atraso no acerto de contas já chega a 63,5 dias.

Apesar disso, houve um pequeno recuo no número de famílias que estão com dívidas em atraso no final do ano. Em dezembro de 2019, 24,5% das famílias afirmaram ter contas em atraso, enquanto que em novembro esse percentual era de 24,7%.

Para o presidente da CNC, José Tadros, o resultado da pesquisa pode indicar sinal de alerta. Porém, não deve ser encarado como negativo. Ele aponta que o aumento no endividamento das famílias não vem acompanhado de um aumento expressivo na inadimplência.

“A tendência de alta do endividamento está associada à ampliação do mercado de crédito ao consumidor, impulsionada por fatores como a melhora recente no mercado de trabalho, sobretudo no emprego formal, e a redução das taxas de juros para patamares mínimos históricos, o que permitiu a redução do custo do crédito”, afirma Tadros.

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