O novo pacote do governo Bolsonaro, entregue ao Senado terça, 5, radicaliza o modelo neoliberal importado do Chile de Pinochet pelo ministro Guedes. A avaliação é de Antônio Augusto de Queiroz, consultor parlamentar e diretor licenciado do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Ele sintetiza: “O governo tira os pobres do Orçamento”.


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Sindicalismo - No sindicalismo, as reações também foram negativas. João Carlos Gonçalves (Juruna), secretário-geral da Força Sindical, adianta que as Centrais divulgarão nota unitária crítica às três PECs. Segundo Juruna afirma: “O pacotão de Guedes aumenta o abismo social. Diminuir o papel do Estado é prejudicar a saúde e a educação dos mais carentes”.

Presidente da CUT, Sérgio Nobre, alerta que o pacote não traz qualquer solução para o desemprego e o desenvolvimento. Segundo o líder cutista, Paulo Guedes atira pra todo lado, “mas prejudica especialmente os mais pobres, e mostra que o governo não tem propostas que aqueçam a economia, que está estagnada”. Ele também aponta que, ao reduzir os investimentos, a fim de cobrir a dívida pública, haverá arrocho no mercado interno.

Para o economista Marcio Pochmann, o Brasil pode ficar pior que o Chile. Ele alerta: “Como a PEC Emergencial abre a possibilidade de reduzir os gastos com servidores, vai faltar médico no posto de saúde, policial nas ruas e professor em sala de aula”. O professor da Unicamp explica: “Os chilenos nunca tiveram um serviço público de saúde gratuito e não têm educação universalizada como aqui. Se nos retirarem esses direitos, podemos chegar ao caos, ainda pior do que o Chile”.

Ricos - Segundo análise de Antônio Augusto de Queiroz, há uma outra deturpação na iniciativa de Guedes/Bolsonaro. Ele aponta: “O governo garante o pagamento dos rentistas, que são a parcela mais rica da população. Na verdade, o sistema financeiro, que é um poder global, impôs seus interesses, inclusive ante garantias da Constituição”.

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