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Lula: Se quiserem tentar me impedir, vamos brigar na Justiça

Ex-presidente ironiza PSDB e tentativa midiática e judicial de destruí-lo como candidato em 2018: "Onde estão os tucanos? O Lula, que querem destruir, parece um pé de mandacaru: está crescendo na seca".

 

O ex-presidente Lula e o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, na abertura da etapa estadual São Paulo do 6º Congresso do PT, no sindicato dos Bancarios na rua Tabatinguera
O ex-presidente Lula e o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, na abertura da etapa estadual
São Paulo do 6º Congresso do PT, no sindicato dos Bancarios na rua Tabatinguera



Em discurso de pouco mais de 51 minutos, na abertura da etapa paulista do 6º Congresso do PT, ao lado do colega uruguaio Pepe Mujica, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou a Lava Jato, a Rede Globo e a elite brasileira a disputar a eleição presidencial de 2018 com ele nas ruas. Mencionou a “burguesia que não se respeita, que aceita tudo o que vem dos Estados Unidos, da Europa” e acrescentou: “é pra essa burguesia que odeia tanto aqueles que lutam por direitos, que odeia tanto aqueles que querem democracia, que eu quero dizer: se preparem, porque agora eu quero ser candidato a presidente da República”.

O evento teve a presença dos senadores Lindbergh Farias (RJ) e Gleisi Hoffmann (RS); do presidente da CUT, Vagner Freitas; do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, e dos presidentes nacional e estadual da legenda, Rui Falcão e Emidio de Souza, respectivamente, entre outras lideranças.

Sem inicialmente citar a operação Lava Jato, o Ministério Público Federal ou estadual, Lula avisou: “Se quiserem tentar me impedir legalmente, que tentem. Vamos brigar na Justiça. Mas eu vou andar por este país. Vão ter que competir comigo andando nas ruas, conversando com o povo brasileiro”.

 

Dirigiu-se diretamente à empresa da família Marinho para fazer outro aviso, tanto à maior empresa de jornalismo do país como à imprensa tradicional: “Quero avisar alto e bom som: tudo o que eu quero é disputar as eleições contra o candidato da Rede Globo de Televisão. Nós vamos regulamentar os meios de comunicação deste país”.

Quando citou a Lava Jato, foi para afirmar que a operação comandada, entre outros, pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, “quer destruir a política” brasileira. Na sequência, ainda se referindo à chamada "República de Curitiba", ironizou o PSDB e as consequências ao país da crise política. “Querem passar à juventude a ideia de que política não presta. E quando se faz uma pesquisa, o resultado dessa tese é o crescimento de um fascista chamado Bolsonaro. Eles devem ter se assustado, porque onde estão os tucanos? E o Lula, que querem destruir, parece um pé de mandacaru: está crescendo na seca. Não precisa da água da mesma maneira que não preciso de muita imprensa”, disse.

Na próxima quarta-feira (10), Lula deve ser interrogado por Moro em Curitiba, em audiência que estava marcada para o dia 3, mas foi adiada pelo magistrado por alegados motivos de segurança. “Eu tenho ficado quieto, porque vai ter o momento de falar”, alertou. Sobre ser acusado de criminoso pela mídia e por membros do Ministério Público, disse: “eu tenho paciência, porque eles condenaram e prenderam o Zé Dirceu quando ele poderia ter respondido em liberdade. Mais grave do que a prisão é a destruição que tentam fazer na opinião pública em cima das pessoas. Há um pacto diabólico entre a operação Lava Jato e os meios de comunicação.”

Ele continuou. “Essa mesma imprensa que dizia (nas eleições municipais de 2016) que o PT acabou, dizia todo dia: ‘amanhã o Lula vai ser preso’. Faz dois anos que eu estou ouvindo isso. Se eles não me prenderem logo, quem sabe um dia eu mando prendê-los por mentiras que estão falando.”

Ao comentar as reformas em tramitação no Congresso Nacional – destacando a trabalhista e a da Previdência – declarou: “Estou muito mais preocupado com o que pode acontecer com a classe trabalhadora do que com o que pode acontecer comigo.”

Num momento emocionante de seu discurso, o ex-presidente falou da bárbara agressão sofrida pelo estudante Mateus Ferreira da Silva, em Goiás, no dia 28, quando ocorreu a greve geral que paralisou o país contra as reformas de Michel Temer. O garoto foi agredido pelo capitão da PM Augusto Sampaio de Oliveira Neto. “É esse país que nós queremos construir? É esse país, que quase chegou a ser o país mais otimista do planeta Terra?”, questionou.

Lula lembrou também da mulher Marisa Letícia, que morreu no dia 3 de fevereiro. “Dia 23 de maio ia fazer 44 anos de casados. Anteontem fez três meses que ela morreu. Eu tomava um uisquezinho com a Marisa. Eu ganhei um litro de uísque do Edinho. Cheguei em casa, coloquei uma dose pra ela, coloquei uma dose pra mim. Peguei o dela com a mão esquerda, peguei o meu com a mão direita, brindei e tomei os dois, porque ela não tava lá pra tomar o dela.”

“Sem partido não somos nada”

Em seu discurso, o ex-presidente do Uruguai, como em outras ocasiões em que participou de debates no Brasil, deu um tom filosófico a sua fala e ressaltou a importância da organização e da luta coletiva contra o individualismo, o capitalismo e o embrutecimento de homens e mulheres pelo capital. “Necessitamos de partido, da força coletiva. Sem partido não somos nada”, disse Pepe Mujica.

 

Segundo ele, “um partido grande”, para sobreviver, precisa conviver “com seus próprios defeitos” e reconhecer que é formado por “criaturas humanas com todas as suas grandezas e pequenezas”.

Ele resumiu a filosofia de que a luta política exige persistência. “Pelear, pelear, lutar, dar-se conta de que a luta é lenta e vai de geração em geração. Lutamos pelo poder? Não. Lutamos pela civilização humana, pelo progresso da civilização. Pertencemos a uma parte da espécie humana que luta pelo progresso da civilização degrau por degrau.”

Mujica destacou a “renda básica de caráter universal” e a luta contra a “robotização do trabalho” como essenciais à humanização da civilização contemporânea.

Criticou ainda o sistema político brasileiro. “Uma das desgraças maiores do Brasil é a proliferação de partidos. Não pode haver 30 projetos de país", afirmou, sobre o sistema eleitoral do país. Hoje, no Brasil, existem 35 partidos registrados de forma oficial.



Fonte: Vermelho, 08 de maio de 2017






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