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Participantes de seminário lamentam qualidade do debate econômico no país

No seminário sobre a atual situação da economia brasileira, realizado na manhã desta quinta-feira (29) pelas Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado, o consultor Roberto Macedo, pós-doutorado em Harvard (EUA) e eleito o Profissional do Ano em 2012 pela Ordem dos Economistas do Brasil, qualificou como "muito pobre" o nível do debate nesta área praticado em geral nos mais diversos setores da sociedade brasileira.

Atualmente articulista do jornal O Estado de S. Paulo, tendo no passado sido também editorialista na Folha de S. Paulo, para ele um dos sintomas desta situação se encontra justamente na cobertura exercida pelos meios de comunicação sobre a economia do país.

- Sou ligado ao Estadão, mas o fato é que os jornais na editoria de Economia foram dominados pelos press-releases dos bancos. Eles ouvem é economista de banco. No passado havia muito mais variedade nas análises. Um alto diretor de jornal concorda comigo... - afirmou Macedo.

Também dentro do cenário de "pobreza" no debate econômico sobre os rumos do país, ele também cita a "falta de maturidade" nos meios acadêmico e universitário, em que profissionais interpretam como "críticas pessoais" qualquer apontamento divergente na defesa de teses e políticas públicas.

- Morei e trabalhei nos Estados Unidos, na Inglaterra, lá convive-se com enorme naturalidade com a crítica conceitual ou de medidas práticas. Aqui parece que você está ofendendo a mãe se aponta alguma divergência - diz.

Para o presidente da Associação Nacional dos Centros de pós-graduação em Economia (Anpec), Maurício Bittencourt, o alto nível de "polarização ideológica" que ele percebe na sociedade brasileira também está hoje presente no debate econômico acadêmico, o que no seu entender também vem "travando" a busca por consensos que vê como necessários para a superação da crise.

- Já fui agredido, rotulado por causa da defesa de ideias em debates públicos. Honestamente acredito que precisamos superar essa fase, a sociedade brasileira vive um momento de dificuldade na convivência com quem pensa diferente - acredita.

Outro participante do seminário, o economista Paulo Haddad, também criticou o atual estágio dos cursos na área no país. Para ele, estes são cursos hoje "muito fechados", e isto se reflete no seu entender muito fortemente quando estes formados depois começam a ocupar postos na administração pública.

- Vejo hoje muitos destes da nova geração ocupando cargos no Banco Central, nos ministérios, demonstrando um nível de ingenuidade absurdo sobre a sociedade brasileira. Quando se deparam com dificuldades, culpam o Congresso, a classe política... É uma posição muito cômoda, o que falta por parte deles é uma visão mais completa sobre como funciona o Estado brasileiro - defendeu.



Reformas

Para a economista Dorothea Werneck, ministra do Trabalho no governo José Sarney e da Indústria e Comércio no governo Fernando Henrique Cardoso, os maiores desafios da economia nacional hoje, com os quais no seu entender tanto o governo federal quanto o Congresso Nacional terão de lidar, passam pelas reformas tributária, do federalismo brasileiro, da legislação trabalhista e da burocracia de Estado.

Para Dorothea, o debate hoje ainda está muito centrado no excesso de despesas no que tange ao Estado, e ela observa que aspectos ligados à receita em algum momento também terão que ser enfrentados, sem necessariamente elevar impostos. Dorothea aproveitou também pra tecer críticas a diversos aspectos das políticas de desonerações e isenções de setores praticadas nos últimos anos.

Concordando com Haddad, Dorothea  também vê como um desafio de momento buscar uma real colaboração prática entre o setor acadêmico e a administração pública.

Maurício Bitencourt também apresentou conclusões de estudos que conduziu atestando que realmente políticas de liberalização comercial impactam negativamente os pobres numa sociedade, por isso defende uma taxação mais elevada sobre os segmentos mais privilegiados quando orientações neste sentido são adotadas.

Ele também percebe como desafios para o país a primarização da pauta de exportações, dificuldades na indústria e no que tange ao Mercosul, a falta de coordenação macro-econômica entre os países que formam o bloco.



Fonte: Agência Senado, 30 de setembro de 2016




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