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Jovens cariocas da classe C movimentam R$ 5 bilhões anuais

Uma pesquisa realizada pelo instituto Data Popular identificou que os jovens da classe média da Região Metropolitana do Rio de Janeiro – ou classe C – são responsáveis, hoje, por movimentar, com o próprio salário, R$ 5 bilhões por ano na economia.


O dado foi apresentado durante a divulgação da pesquisa “Geração C: o Retrato dos Jovens Cariocas”. De acordo com o levantamento, 3,5 milhões de jovens da Região Metropolitana pertencem à classe C, onde estão enquadradas as famílias com renda mensal até R$ 2,5 mil, de acordo com o Data Popular.


“R$ 5 bilhões é muito dinheiro em qualquer cidade do mundo, ainda mais no Rio de Janeiro”, ressalta Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular.


“Outra grande questão mostrada pela pesquisa mostrou é que as profissões dos jovens da nova classe C e dos pais deles são diferentes. Enquanto os jovens trabalham como operadores de telemarketing e funcionários de lojas e mercados, que exigem mais escolaridade e oferecem planos de carreira, os pais eram empregados domésticos ou operários da construção civil, profissões que não aparecem nem entre as cinco primeiras desempenhadas pelos filhos deles”, complementa.


Profissões revelam ‘diferença geracional’ 


A pesquisa revela que 15% dos jovens da classe média da região metropolitana do Rio de Janeiro são trabalhadores do comércio, em lojas e mercados, 6% são escriturários, agentes e auxiliares administrativos, 4% são caixas ou bilheteiros, 3% são recepcionistas ou operadores de telemarketing, e 2% trabalham com serviços de embelezamento e higiene. É um perfil bem diferente dos pais deles, os quais 11% são trabalhadores domésticos, 5% são operários na construção civil, 4% trabalham no comércio, 3% são costureiros e 2% são motoristas, vigias e porteiros.



Para o diretor do Data Popular, a nova escolha profissional “marca a diferença geracional” entre os pais e os jovens da atual classe média. “Os jovens da nova classe C procuram planos de carreira. E a proporção de jovens com carteira assinada (72,9%) é maior do que a dos pais deles (66,7%)”, ressaltou Meirelles. Segundo o Data Popular, os 3,5 milhões de jovens (15 a 25 anos) que estão na classe C representam 64% do total de 5,5 milhões que residem na Região Metropolitana fluminense.



Pesquisa: jovem de classe C é novo formador de opinião


O estudo afirma que, para cada R$ 100 que o pai recebe de salário, o jovem da classe C ganha R$ 72,30. Já os filhos das classes A e B ganham R$ 28,50 a cada R$ 100 ganhos pelos pais. “Não entra mesada, porque assim seria covardia. Só contamos os valores referentes a salários. O objetivo não era medir o potencial de consumo, mas sim o potencial de influência na tomada de decisão”, explica Meirelles.


‘Vai a baile funk, e à universidade’


“O dado qualitativo mais importante da pesquisa é que esse jovem é o cara que vai ao baile funk, se diverte, e que também toma as decisões e faz as compras no supermercado. É o mesmo cara. É o cara que a elite não enxerga, não identifica”, destaca Meirelles. “Esse cara quer dançar, quer curtir a comunidade e também é o trabalhador e o universitário”, complementa.



Por conta dessa constatação, Meirelles afirma que “nenhuma grande decisão é tomada sem escutar esse novo jovem” e que a juventude da classe C é vista de “forma estereotipada” pela elite. “Muitos pensam: ‘Eles só querem ver mulher rebolando.’ Mas esquecem que são a mesma pessoa. Não há contradição nenhuma entre ouvir funk e ser um universitário, um bom pai de família”, ressalta.



“Você quer conquistar os jovens que vão a bailes funk? Ou você quer conquistar os jovens que vão as universidades? Na segunda pergunta, nenhuma empresa iria titubear. Mas os jovens de classe média fazem as duas coisas”, observa Meirelles. “Tem um mundo que as empresas não fazem ideia do que é, e que movimenta R$ 5 bilhões”, complementa.



Classe média compra menos em shoppings


O estudo mostra que 70% desses jovens da Classe C têm cartões de débito, 69%, de crédito, e 54%, cartões de lojas. Além disso, de acordo com a pesquisa, boa parte deles já ajuda financeiramente em casa: 23% fazem as compras de mês, 22% pagam contas (luz, gás, telefone, etc) e 64% são os responsáveis pelas compras de itens de tecnologia.



Os jovens da classe média compram mais em lojas de rua (62%) do que em shoppings (56%), e 275 mil deles são responsáveis por fazer as compras em supermercados para a família. Do total, segundo a pesquisa, 80% valorizam ofertas e produtos com descontos e 67% não gostam de acumular dívidas. E 44% dos jovens da Geração C têm poupança, se acordo com o Data Popular.



A pesquisa mostra ainda que 28% dos jovens da chamada “Geração C” tem intenção de comprar um carro, 27% querem comprar um imóvel e 58% desejam fazer uma viagem de lazer. Outro dado do levantamento mostra que 28% dos jovens da classe C não moram mais na casa dos pais. Entre os jovens da elite do Grande Rio, segundo o Data Popular, esse número cai para 7%: quatro vezes menos. “O jovem da classe média é mais maduro e independente do que o jovem de elite”, afirma Meirelles. “Os jovens emergentes ajudam mais na tarefa de casa do que o jovem da classe AB”, acrescenta.



Maioria dos universitários é da classe C


O estudo afirma que, hoje, cinco em cada dez universitários da Região Metropolitana são da classe média. “Foi uma surpresa revelada pela pesquisa. A gente não sabia que seria maioria absoluta entre os universitários”, conta o diretor do Data Popular.



“Do total, 68% dos jovens da classe média estudaram mais que o pai. Às vezes, é a primeira geração de universitários da família”, observa.


Fonte: G1, 01 de fevereiro de 2012

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