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Estudo dos EUA diz que chefe rude se dá melhor; especialistas contestam

Quem se dá melhor: chefe temido ou chefe 'amigo'? Uma pesquisa da revista americana “Harvard Business Review” concluiu que, embora chefes justos ganhem respeito de suas equipes, eles são vistos como “menos poderosos”. E que promoções em níveis mais altos de cargos estão mais centradas na percepção de poder do que de justiça.

Para especialistas no setor ouvidos pelo G1, no entanto, o chefe grosseiro já não é tão tolerado. O líder não deve ser 'mole', mas precisa ser respeitoso sempre, dizem.

O chefe rude já é personagem batido do cinema -em um dos filmes mais recentes que abordaram o tema, "Quero matar meu chefe", em cartaz atualmente no Brasil, o ator Kevin Spacey faz o papel do tirano Dave Harken, que trata o subordinado Nick (Jason Bateman) como capacho. No longa, Nick e outros dois amigos que têm problemas com seus chefes planejam matá-los.

O estudo da "Harvard Business", publicado em julho passado, cita um caso real em que um líder mais ríspido foi preferido pela empresa no momento da promoção. Em 2001, a Pfizer tinha que escolher seu novo CEO entre dois funcionários: Hank McKinnell e Karen Katen. McKinnell era conhecido pelo estilo de negociação assertivo e prático, mas era grosseiro em alguns momentos. Já Katen tratava subordinados e colegas de maneira respeitosa. McKinnell foi o escolhido.

Os pesquisadores concluíram que é difícil o chefe ter ao mesmo tempo poder e respeito dos seus subordinados, assim muitos líderes escolhem somente a primeira característica, o que, na prática, lhes daria mais chance de serem promovidos. O líder mais amigo é visto como alguém que tem menos controle de recursos e menos capazes de recompensar e punir.

Para chegar a esse resultado, quatro autores americanos de diferentes escolas de negócios realizaram entrevistas e estudos de laboratório. Tudo começou a partir das seguintes perguntas: “Os líderes devem ser amados ou temidos?” e “É possível ter respeito e poder?”.

Firme, mas educado

Para Marcelo Abrileri, presidente da Curriculum, empresa de recursos humanos, o chefe desrespeitoso e mal educado tem vida curta em um mercado aquecido, como o brasileiro, que faz com que o profissional talentoso seja valorizado. “Hoje em dia ninguém precisa ficar suportando chefe desrespeitoso e mal educado, ele vai perder a equipe rapidinho”, afirma.

Reinaldo Passadori, especialista em recursos humanos do Instituto Passadori, também acredita que a figura do chefe tirano tende a desaparecer. “'Manda quem pode e obedece quem tem juízo’ é uma postura de chefe que não se perpetua", diz.

Uma pesquisa da empresa de recrutamento Robert Half com 2.525 executivos de 11 países, realizada em maio passado e divulgada há duas semanas, apontou que pressões desnecessárias (44%) e insatisfação com a capacidade de gestão (34%) são algumas das principais razões para aumentar o estresse no ambiente de trabalho.

Abrileri destaca que rispidez e grosseria não podem ser confundidas com firmeza. “Não precisa ser melado, pode ser assertivo, inflexível, até implacável, mas tem que ser respeitoso sempre”, afirma. Segundo ele, o gestor que impõe e sabe o quer pode até ser seco e de poucas palavras -e isso até demonstra alguma determinação.

Passadori concorda. “Tirania é um rolo compressor: ‘tem que ser do meu jeito’. Assertividade é entender ao próximo, de maneira franca e sincera", explica. "A pessoa assertiva é a que diz aquilo que precisa ser dito e não se constrange diante das dificuldades. Sua fala é organizada, tem uma voz estruturada, é a pessoa que sabe lidar com as diferenças individuais, sabe motivar as pessoas, lidando com as diferenças.”

Escolher pelo poder nem sempre é a melhor alternativa, adverte o mesmo estudo da "Harvard Business". A publicação lembra que, no caso da Pfizer, alguns executivos "promissores", aliados da preterida Kate, pediram demissão quando McKinnell assumiu. E o CEO acabou aposentado cinco anos depois, "devido à sua performance decepcionante".

Fonte: G1, 13 de setembro de 2011


 

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