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Crise global reforça sinais de desaceleração da economia


Analistas identificam contágio no país e esperam menos crescimento neste ano 


Fraqueza da indústria é apontada como causa de expansão econômica menor, mas consumo também perde fôlego 


ÉRICA FRAGA

MARIANA SCHREIBER
DE SÃO PAULO


A economia brasileira tem dado sinais de desaceleração mais fortes do que os estimados há algumas semanas. 

Nos últimos dias, analistas passaram a ver indícios de contaminação da crise externa sobre o país, o que tem levado a estimativas menores para o crescimento em 2011.

Alguns economistas apostam, inclusive, em estagnação -ou expansão perto de zero no terceiro trimestre. Para o ano, as projeções estão entre 3% e 3,5%.

"A economia passou de um ritmo de crescimento chinês no primeiro semestre para um ritmo bem menor", diz Bráulio Borges, economista-chefe da consultoria LCA.

Entre abril e junho, o PIB (Produto Interno Bruto, soma de bens e serviços produzidos no país) já tinha perdido fôlego. Cresceu 0,8% ante o trimestre anterior, quando a expansão foi de 1,2%.

Indicador que tenta prever o desempenho do PIB calculado pela LCA aponta crescimento de 0,2% em agosto.

Previsão do Itaú Unibanco é pior: queda de 0,4%. "Os dados da indústria vieram bem fracos", diz Aurélio Bicalho, economista do banco.


INDÚSTRIA

A indústria é apontada como a principal responsável pela desaceleração. 

Entre as causas do desempenho fraco está o câmbio valorizado. A alta do real encarece as exportações e estimula a compra de importados, o que prejudica a competitividade de empresas locais. 

Medidas do governo para conter a inflação -como restrições à concessão de crédito- também contribuíram para a desaceleração.

Mas a piora do cenário externo começa a ser mencionada como nova fonte de enfraquecimento: "A maior incerteza tem contribuído para o adiamento nas decisões de investimento", diz Borges.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), que prevê o desempenho da indústria, mostra encolhimento desde junho. 

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, acredita que a indústria vai apresentar retração no terceiro trimestre, puxando o PIB do período para próximo de zero. A LCA também espera estagnação e não descarta o risco de contração no período.

Grandes instituições financeiras ainda esperam crescimento -cada vez menor. O Bradesco reduziu para 0,5% sua projeção de crescimento para o período, mas o economista-chefe do banco, Octavio de Barros, afirma que indicadores sinalizam um cenário pior, próximo de 0,3%.

O Itaú Unibanco prevê expansão de 0,9% no terceiro trimestre. Mas, segundo Bicalho, ela pode ser reduzida.
 

SERVIÇOS

É o desempenho ainda favorável do setor de serviços que atenua a desaceleração. O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Carlos Thadeu de Freitas, prevê que o setor se manterá bem até o fim do ano, apoiado no crescimento da renda da população. 

Mas ele também projeta uma expansão fraca do PIB entre julho e setembro, de 0,2% a 0,3%: "A indústria dá sinais de desaquecimento, e só o consumo das famílias não será suficiente para sustentar uma alta maior". Alguns economistas identificam perda de fôlego no consumo das famílias. 

Segundo a LCA, a venda de veículos novos caiu 4,2% em agosto em relação a julho (descontados efeitos típicos de cada época do ano). Dados preliminares indicam contração semelhante em setembro. "Com a maior incerteza, as pessoas já começam a adiar planos de comprar itens mais caros", diz Borges.

Dados de criação de vagas formais também mostram expansão mais fraca. Isso foi citado na última sexta-feira pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, como sinal de desaquecimento. Para evitar freada brusca da economia, o BC reduziu em agosto a taxa de juros de 12,5% para 12%. A expectativa do mercado é que a taxa caia para 11% até dezembro. 

Apesar desse cenário, economistas do mercado financeiro ainda acreditam que a inflação ficará alta em 2012, devido ao aumento da renda.

Fonte: Folha de S.Paulo, 18 de setembro de 2011 


 

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