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Recuo do desemprego nos EUA faz dólar subir no Brasil e no mundo

 

Moeda fecha semana a R$ 3,05, com alta de 6,9%, a mais forte entre divisas de países emergentes

Analista afirma que ações brasileiras estão ficando baratas em dólar, o que pode elevar a procura na Bolsa

GIULIANA VALLONEDE NOVA YORKDANIELLE BRANTDE SÃO PAULO

O desemprego recuou em fevereiro nos EUA, após uma forte criação de postos de trabalho, sugerindo que fica cada vez mais próximo um aumento nos juros americanos. A notícia surpreendeu os mercados globais e impulsionou o dólar em relação às principais moedas globais.

No Brasil, a moeda americana, que já vinha subindo devido a dúvidas quanto ao ajuste das contas do governo Dilma e à continuidade das intervenções no câmbio, encerrou esta sexta-feira (6) a R$ 3,05, com valorização de 6,87% na semana.

A alta ante o real foi a mais forte entre moedas emergentes, seguida pela lira turca.

A economia americana criou 295 mil postos de trabalho em fevereiro, levando a taxa de desemprego a recuar de 5,7% para 5,5% no mês passado. Foi o 12º mês seguido em que a geração de vagas ficou acima de 200 mil. Os analistas esperavam uma criação de 240 mil vagas no mês.

Por outro lado, a renda dos trabalhadores não apresenta sinais de crescimento regular. Em 12 meses, a renda média avançou 2,0%.

JUROS E MOEDAS

Os dados de emprego e renda estão entre os principais monitorados de perto pelo Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) para decidir quando iniciar um novo ciclo de elevação dos juros básicos.

O mercado previa que a alta fosse anunciada em junho. Mas a divulgação de dados contrastantes e de uma desaceleração do ritmo de crescimento do PIB, para 2,2% no trimestre passado, levou parte dos economistas a adiar a previsão para setembro.

A presidente do Fed, Janet Yellen, já sinalizou que a autoridade monetária não tem pressa para elevar os juros.

A alta dos juros nos EUA deve repatriar ao país investimentos que estão hoje nos países emergentes e em aplicações de maior risco, como nas Bolsas e títulos de empresas estrangeiras.

Diante desse cenário, o dólar subiu 1,49% em relação ao euro, encerrando a € 0,9212. Foi a maior cotação desde 3 de setembro de 2003. A moeda americana também subiu 0,66% em relação ao iene japonês. Entre as moedas emergentes, as maiores altas foram em relação ao peso mexicano (1,69%), ao rand sul-africano (1,62%) e ao peso colombiano (1,47%).

No Brasil, o dólar à vista (referência no mercado financeiro) subiu 1,53% e fechou a R$ 3,050, o maior valor desde os R$ 3,062 (hoje seriam R$ 4,41) de 5 de agosto de 2004. No ano, a moeda americana já sobe 15,2%.

O dólar comercial, usado no comércio exterior, fechou com alta de 1,52%, a R$ 3,057, também no maior patamar desde 5 de agosto de 2004.

BOLSA ZERA ALTA

Na Bolsa brasileira, o Ibovespa caiu pelo terceiro dia seguido, também influenciado pelo dado de emprego nos EUA. O principal termômetro do mercado acionário brasileiro fechou em baixa de 0,76%, marcando 49.981 pontos. Na semana, o Ibovespa caiu 3,1%, enquanto no ano acumula baixa de 0,1%.

"A grande charada é saber qual o nível de elasticidade das ações no Brasil, pois a Bolsa está barata em dólar. Por mais que a atividade econômica seja fraca, o descasamento do real ante as demais moedas emergentes atrai investidores", diz Raphael Figueredo, da Clear.

Fonte: Folha de S.Paulo

 

 

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