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Saiba o que pensa a geração Y

 

Filhos da informação, estes jovens de 20 a 30 anos precisam equilibrar os desafios de seu tempo e o potencial que tem nas mãos

 

Uma “geração de cristal”. Assim o escritor e palestrante Sidnei Oliveira define a geração Y, formada pelos jovens que nasceram nas décadas de 1980 e 1990. Segundo ele, que é autor de dois livros sobre o tema, a moçada de hoje, por ter muito acesso à informação e estar mais protegida pelos pais do que os jovens de algum tempo atrás, é intensa e cheia de ideias, porém frágil.

Veja como é comportamento dos jovens em diferentes épocas

Brunno Covello/Gazeta do Povo

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Entusiasta e criativo, Diogo dos Reis Ruiz, 29 anos, abriu a própria produtora de vídeo

Prefeitura bomba nas redes sociais

Quem é “curitilover” certamente vai concordar se alguém disser que poucas coisas são tão engraçadas quanto ler o perfil do Facebook da Prefeitura de Curitiba. Carinhosamente chamada de “Prefs” pelos seus seguidores, que também cunharam termos como o apelido “curitilover”, atribuído a quem é apaixonado pela capital paranaense, a página foi criada no início do ano passado. Partindo de uma proposta inusitada, o responsável pelo setor de mídias sociais do município, Marcos Giovanella, elaborou um projeto de mídia que ganhou repercussão nacional e a admiração de muita gente – sobretudo, da geração Y, por ser descontraído, dinâmico e quase personalizado.

Conquistar esse público tão crítico e bem informado e lidar com ele não foi nem tem sido tarefa fácil. Os oito funcionários envolvidos na produção de conteúdo da página, que também estão empenhados em várias outras atividades, como manter o site oficial da Prefeitura, acompanham cada comentário e respondem com bom humor e criatividade até mesmo as críticas que chegam.

A Prefs, que até o fechamento desta edição contava com 431.272 seguidores, abriu frentes de diálogo para uma juventude movimentada, e isso acelerou até mesmo o ritmo da transmissão de informações dentro da Prefeitura. “Todos aqui têm aprendido a lidar com essa realidade”, explica Álvaro Borba, que integra a equipe composta por colaboradores com idades entre 26 e 39 anos.

Para Oliveira, esse processo tem uma explicação: como a geração X, a anterior à Y, foi a primeira a ter um contato grande com a televisão, também foi a primeira a conhecer realidades para além do próprio cotidiano e se preparou para dar aos filhos tudo o que nunca teve. “O jovem de agora, por exemplo, entra mais tarde no mercado de trabalho, mas com uma bagagem escolar maior do que teria antigamente, quando os tempos eram mais difíceis e as oportunidades de estudo, bem menores”, explica.

Nascida e criada em meio à transição do mundo analógico para o digital, a geração Y é inevitavelmente influenciada pelo dinamismo das novas mídias e do intenso fluxo de informações impulsionado pela ascensão da internet. E se a inconstância e a inquietação sempre foram características comuns aos jovens de qualquer época, com tantos meios de comunicação disponíveis, a garotada de agora tem esses traços potencializados pelo ritmo frenético do mundo contemporâneo. Isso mexe com a maneira como ela lida com o futuro e interfere na dinâmica do mercado de trabalho.

Segundo Oliveira, é preciso que esse jovem aprenda a ponderar alguns pontos diante de todos os benefícios que tem e alie seus sonhos às condições que possui: os recursos tecnológicos, bem como a proteção dos pais, podem servir como alicerce e alavanca para o sucesso, mas jamais para alimentar uma zona de conforto que tenda a estagnar a vida do indivíduo. “A geração Y tem muitos benefícios e vai muito longe se fizer bom uso deles”, prevê.

André Caldeira, sócio fundador da Propósito, consultoria especializada em gestão de talentos, lida diretamente com a geração Y no meio profissional e reforça que o idealismo e o desassossego do jovem 2.0 não pode atrapalhar sua carreira. Embora seja um grande desafio, para o consultor, é preciso delimitar um foco mesmo em meio a uma época em que a efervescência de ideias e oportunidades é grande. Ele lembra que as empresas também devem se preparar para esse novo perfil de juventude, que é movida pelo desafio e está chegando cheia de ideias frescas e muito a dizer.

O Viver Bem conversou com três jovens da geração Y que têm aproveitado da melhor maneira possível as oportunidades que lhes são entregues. Nossa equipe conferiu quais são seus principais desafios, seus sonhos e o modo como eles enxergam o mundo.

A conectada

“Minha mãe diz que eu sou empresária de mim mesma”. A descrição atribuída a Bruna Florêncio Rasmussen é o sonho de muitos jovens da atualidade. A redatora de sites de 24 anos, que abriu mão de um cargo de coordenação em uma importante empresa de produção de sites para trabalhar em casa , em nenhum momento se arrepende da decisão que tomou em prol da qualidade de vida. Independente, ela comprou seu apartamento e se sustenta produzindo conteúdo on-line, trabalhando em esquema de home office. Antenada, inventiva e ansiosa, Bruna é um exemplo típico da sua geração.

A jovem, que é fã do Steve Jobs e vive se informando sobre o que acontece no mundo a todo tempo, tem como um dos principais hobbies a leitura diária de seus feeds de notícias. “Quando eu termino de ler tudo, me dá uma sensação de prazer e um alívio indescritível”, brinca ela, que é formada em Comunicação Institucional pela UTFPR.

Como muitos jovens de hoje, a redatora não tem medo de ousar na carreira porque sabe que pode contar com o apoio dos pais caso algo não dê certo. Mas não é só isso: justamente porque teve apoio financeiro e psicológico deles, Bruna conseguiu construir um bom currículo enquanto gozava da estabilidade do lar.

Em seu baú de virtudes, a redatora carrega a audácia, o dinamismo e a criatividade do seu tempo. Mas essa qualidade não a blindou dos problemas tão comuns entre os colegas da mesma faixa etária. E ela reconhece: indisciplina e euforia são desafios com os quais ela lida diariamente.

O empreendedor

Em um almoço de família, Diogo dos Reis Ruiz se deu conta de que precisava dedicar mais tempo a quem amava. Depois de deixar a tia e a mãe no evento e ter que sair para o trabalho às pressas, o empresário, hoje com 29 anos, começou a traçar um plano diferente para a própria vida. Pouco tempo depois, ele abriu uma produtora de vídeos com três amigos e usou todo seu entusiasmo e criatividade para se embrenhar no mercado.

Durante um tempo, Ruiz tentou conciliar os projetos do próprio negócio com um emprego em uma grande empresa. Quando a ideia começou a deslanchar, ele deixou o trabalho fixo.

Atualmente, a Asteróide Filmes, criada em 2011, tem clientes como o Banco do Brasil e a Suvinil. Na empresa, que dispõe de um quadro de colaboradores jovens, todo mundo usa a roupa que quer, chega quando precisa chegar e se atém mais ao que é produzido do que à maneira como o trabalho é elaborado. “Tem gente que produz melhor à noite e eu não posso desperdiçar o potencial de um funcionário obrigando o sujeito a estar aqui às sete horas da manhã”, explica o empresário.

Para empreender, Ruiz teve a ajuda da mãe, com quem morou e de quem teve muito apoio emocional até que a ideia da Asteróide vingasse. Conectado e bem informado, ele nunca deixa de medir suas possibilidades olhando para o que há de mais novo e interessante na sua área.

Sobre o atrevimento que impera entre a geração Y, Diogo diz concordar com a tese de que tanta audácia pode estar sendo catalisada pelo aumento de oportunidades da juventude atual, mas também pelo aspecto de “vitrine” que a vida das pessoas tem ganhado em função das mídias sociais. “Hoje é cool ousar, largar a vida aqui e viajar pelo mundo, por exemplo. Mas sempre podemos recorrer à família se algo der errado”, justifica.

O dinâmico

Conversar com vários amigos por um aplicativo no celular e produzir um texto no computador escutando seu artista predileto no fone de ouvido. Tudo isso simultaneamente. A multiplicidade de ações está longe de ser um desafio para a geração Y. Luis Fernando Franzen, 23 anos, leva essa capacidade para todos os aspectos da sua vida, e prova disso é o fato de o publicitário estar sempre envolvido em mais de um projeto por vez. Além de trabalhar em uma agência, ele faz “freelas” e ainda dedica tempo para pensar no em um e-commerce de camisetas que pretende lançar com dois amigos.

Apesar de montar seu próprio horário na empresa em que atua, Franzen tem uma vida corrida, costuma produzir material até tarde e está sempre ativo para dar conta da demanda de ideias e informações que lhe passam à mente o dia todo. A mãe, Maria José Sanches Franzen, 51 anos, diz ter se acostumado ao ritmo frenético do filho, mas que, no começo, foi um pouco difícil. “Ao mesmo tempo em que ele está sempre antenado a mil coisas, parece que às vezes ele desliga de repente”, diz. O publicitário justifica a circunstância com uma de suas críticas com relação à juventude da era da informação. “O problema de querer captar tudo é que podemos nos atrapalhar em alguns momentos. Na vontade de não perder nada, a gente pode acabar se perdendo em pensamentos.”

Fonte: Gazeta do Povo
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