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Envelhecimento da população deve desacelerar crescimento econômico

 

Nas próximas duas décadas, o crescimento econômico de um conjunto de países será reduzido por um fator demográfico comum a todos eles: o envelhecimento populacional. Estudo da Moody's obtido com exclusividade peloValor indica que a redução da população em idade ativa e o declínio das taxas de poupança, com a consequente queda do investimento dos países, devem impor restrições importantes à expansão de economias desenvolvidas e emergentes.

 

Embora o envelhecimento populacional ocorra com maior intensidade na Europa e na Ásia, o estudo aponta que até mesmo países relativamente jovens, como Brasil e Turquia, já entraram em processo de envelhecimento. E ainda que a população em idade ativa brasileira - ao lado da ÍndiaMéxico e Turquia - deva continuar a crescer na próxima década, isso deve ocorrer em um ritmo bem mais comedido.

No Brasil, 8% da população terá 65 anos ou mais em 2015, contra 26,4% da população japonesa e 21,4% da alemã - as mais velhas do grupo pesquisado. Em 2025, o percentual de brasileiros com 65 anos ou mais será de 11,4%, saltando para 13,6% em 2030. Segundo Elena Duggar, vice-presidente sênior da Moody's e uma das autoras do relatório, o envelhecimento populacional e o declínio na força de trabalho serão os principais responsáveis pela desaceleração do crescimento econômico brasileiro no médio prazo - de 3,2% em média entre 2014 e 2019 para 2,8% entre 2020 e 2025, segundo projeções do Conference Board.

Segundo Elena, espera-se que o ritmo de crescimento da população brasileira em idade ativa arrefeça para 7,8% entre 2015 e 2030, ante alta de 23,8% registrados no período de 2000 a 2015. "É um avanço da população em idade ativa inferior ao de muitos outros países na América Latina, embora seja ainda positivo, diferentemente de muitos países europeus", afirma Elena.

Segundo o estudo, em um grupo de 55 países desenvolvidos e emergentes, o envelhecimento populacional deve reduzir o crescimento econômico agregado anual em 0,4% no período de 2014 a 2019 e em 0,9% de 2020 a 2025. Para a Moody's, o impacto pode ser mitigado, no médio prazo, por reformas políticas que estimulem a participação no mercado de trabalho e maior agilidade dos processos migratórios. Em um prazo mais longo, avanços educacionais e investimentos em infraestrutura e inovação devem ajudar a elevar a produtividade da economia e, consequentemente, impulsionar a expansão das economias.

Em 2015, 60% dos países com ratings atribuídos pela Moody's terão mais de 7% de suas populações com 65 anos ou mais. Até 2020, sociedades altamente envelhecidas (aquelas com mais de 20% de idosos) serão 13, ante apenas quatro hoje (AlemanhaJapãoItália e Finlândia). Até 2030, 34 países estarão no grupo dos altamente envelhecidos.

Segundo a Moody's, o crescimento da população mundial em idade ativa durante o período de 2015 a 2030 - de 13,6% - corresponderá a apenas metade da expansão observada nos últimos 15 anos, de 24,6%. Todos os países, exceto algumas economias africanas, deverão enfrentar um crescimento mais lento ou declínio da população em idade ativa.

O estudo reconhece que o Brasil tem uma população relativamente jovem. Segundo a Moody's, a chamada "taxa de dependência de idosos" brasileira (a proporção entre a população com 65 anos ou mais em relação à população entre 15 e 64 anos), será de 13,6% em 2030 - muito inferior à taxa de 20,1% nos Estados Unidos e de 21,7% no Reino Unido e comparável a do México (11,3%) e da Turquia (12,4%). A estimativa é que uma alta de um ponto porcentual na taxa de dependência de idosos tem impacto negativo de 0,5 a 1,2 ponto porcentual na taxa média de poupança, o que deverá afetar o investimento de forma adversa.

Dado que o Brasil tem um nível intermediário de envelhecimento, a Moody's avalia que a experiência recente alemã pode ser um guia importante. Nos últimos anos, os alemães reduziram benefícios aos desempregados e aumentaram os incentivos à procura de postos de trabalho, o que impulsionou a taxa de participação da força de trabalho após 2003, especialmente entre a população de 55 a 65 anos.

Fonte: A reportagem é de Flavia Lima, publicada pelo jornal Valor Econômico

 

 

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