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Na contramão da tendência, jovens apostam que o voto faz a diferença

Proporção de eleitores abaixo de 18 anos vem caindo, o que demonstra desinteresse da juventude pela política. Mas alguns ainda acreditam nas eleições

 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou na última semana uma campanha para promover e incentivar o cadastro eleitoral de jovens de 16 e 17 anos. A Campanha do Jovem Eleitor – que tem os slogans “Eu voto: eu me represento” e “Vem pra urna” e está sendo veiculada em rádio e tevê – expressa a preocupação de incentivar a adesão da juventude nos processos democráticos. Não sem razão. Dados do TSE mostram que a população abaixo dos 18 anos, faixa etária em que o voto é facultativo, representa hoje 1,2% dos eleitores do Paraná. Em 2009, um ano antes da última eleição presidencial, os jovens de 16 e 17 anos representavam 1,4% do eleitorado estadual – cerca de 40 mil eleitores a mais do que em 2013.

“Já tivemos, em outros momentos, um interesse maior dos jovens em participar da política. Mas isso vem diminuindo. A campanha se preocupa com a rejeição dessa população à política e aos partidos, como foi demonstrado nas manifestações de junho”, diz o cientista político Ricardo Oliveira, da UFPR.

Fazer a diferença

O estudante Vitor Hugo Bueno de Barros, de 16 anos, morador de Curitiba, é um dos 787 mil adolescentes voluntariamente cadastrados no Paraná neste ano. Ele diz que, por estar adiantado na escola, a maior parte dos seus colegas, que são mais velhos, já têm o título de eleitor, e que isso o motivou.

“Eu tirei o título porque quero votar e fazer alguma diferença”, diz o estudante. “Vou tentar pesquisar bem sobre os políticos e ver o que eles vão falar. E, quando tiver 18 anos, quando o voto for obrigatório, já vou estar sabendo um pouco mais sobre como funciona a política.”

A estudante curitibana Fernanda de Almeida Vieira, de 17 anos, conta que também foi incentivada a tirar o título eleitoral por colegas mais velhos que já votam. Ele acredita na democracia como força transformadora. “A política no nosso país não anda muito boa, e eu tenho a minha opinião formada sobre em quem votar. Então acho que posso fazer a diferença, mesmo que o meu voto seja só um em meio a muitos.”

Fernanda diz ainda que o voto jovem é naturalmente mais ousado, e que isso pode ser uma voz importante no processo democrático. “Os jovens são mais motivados para fazer a diferença. Acho que antigamente os mais novos não tinham muitos direitos para falar e mudar muita coisa. Temos mais ousadia para protestar, querer mudar, e isso tem uma importância”, afirma ela.

O cientista político Ricardo Oliveira diz que a decisão dos jovens de tirar o título de eleitor antes dos 18 anos é importante para a formação da cidadania. “Principalmente para aumentar a inclusão política da população, que foi um das reivindicações das manifestações [de junho]. É melhor o jovem votando democraticamente do que se manifestando, às vezes até de maneira inadequada, nas ruas.”

Oliveira diz, porém, que a conscientização do voto passa por um processo de aprendizagem da política. “Os black blocs [mascarados que se infiltraram nas manifestações] mostraram que não sabem o que querem, e isso é sintomático dessa geração. É, portanto, uma questão de informação”, afirma ele. “Também é necessário proporcionar aos jovens o conhecimento sobre o funcionamento da democracia e seus poderes, sobre os perfis programáticos dos partidos políticos e os projetos de nação que existem.”


Fonte: Gazeta do Povo



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