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Progressos no emprego juvenil foram cancelados por recuperação muito lenta, diz a OIT

 Embora existam algumas diferenças regionais, a taxa de desemprego juvenil em nível mundial continua aumentando e está previsto que alcance 12,8 por cento em 2019, cancelando os progressos alcançados no começo do período de recuperação econômica.


Por trás da deterioração das cifras vislumbra-se um cenário ainda pior, que revela uma persistência do desemprego, uma proliferação de empregos temporários e um crescente desalento entre os jovens nas economias avançadas, e empregos de baixa qualidade, informais e de subsistência nos países em desenvolvimento.


Segundo o relatório Tendência Mundiais do Emprego Juvenil 2013 – Uma Geração em Perigoda OIT, prevê-se que cerca de 73,4 milhões de jovens – 12,6 por cento – estarão desempregados em 2013, perto dos níveis alcançados no pior momento da crise econômica em 2009. Esta cifra representa um incremento de 3,5 milhões entre 2007 e 2013.


As projeções anteriores havia estabelecido em 12,7 o número para 2012, mas com base em novos dados foi ajustada para 12,4. A tendência, no entanto, continua sendo ascendente.


“Estes números evidenciam a necessidade de enfocarmos em políticas que promovam o crescimento, a melhoria da educação e os sistemas de qualificação, além do emprego juvenil”, declarou José Manuel Salazar-Xirinachs, Subdiretor Geral de Políticas da OIT.


“Os empregadores, os educadores e os jovens costumam viver em universos paralelos sem interagir entre eles. Sabemos muito bem que é o que funciona, mas o impacto real e em grande escala somente é possível se atuamos juntos, de maneira colegiada”.


Em 2012, a taxa de desemprego juvenil mais alta foi registrada no Oriente Médio, onde 28,3 por cento dos jovens estavam desempregados, mais de um a cada quatro jovens economicamente ativos. Esta cifra, segundo as projeções atuais, poderia aumentar para até 30 por cento em 2018.


O Norte da África também registra uma taxa de desemprego juvenil muito alta: 23,7 por cento em 2012.


As mulheres jovens nestas regiões são as mais afetadas, 42,6 por cento da força de trabalho feminina no Oriente Médio está sem trabalho. No Norte da África, é de 37 por cento.


Em nível mundial, as taxas mais baixas em 2012 foram registradas na Ásia Oriental (9,5 por cento) e Ásia Meridional (9,3 por cento).


Nas economias avançadas, a taxa de desemprego juvenil em 2012 foi de 18,1 por cento. É provável que permaneça acima de 17 por cento antes de 2016. Na Grécia e Espanha, mais da metade da população juvenil economicamente ativa está desempregada.


Muitos jovens abandonaram toda a busca por trabalho. Se forem incluídos nas cifras de desemprego, os jovens desempregados ou desalentados nas economias avançadas seriam 13 milhões, em comparação com 10,7 milhões que estavam oficialmente sem emprego em 2012.

 


As opções se restringem


Aqueles que encontram trabalho estão obrigados a ser menos exigente quanto ao tipo de emprego que exercem, incluindo trabalho em tempo parcial ou temporário, já que necessitam desesperadamente de renda.


“Os empregos seguros, que eram norma para as gerações anteriores – pelo menos nas economias avançadas – são menos acessíveis para os jovens de hoje. O crescimento do trabalho temporário ou a tempo parcial, em especial desde o ponto mais alto da crise, sugere que este tipo de trabalho é frequentemente a única opção para os trabalhadores jovens”, explicou Salazar-Xirinachs.


A proporção de jovens que não empregados pelo menos há seis meses também está aumentando. Nos países da OCDE, mais de uma terça parte dos jovens desempregados foram classificados como “desempregos por longo período” em 2011, em comparação com um quarto dos desempregados de 2008.


Isto é particularmente preocupante, indicou Salazar-Xirinachs: “As consequências a longo prazo da persistência do alto desemprego juvenil incluem a perda de experiência laboral valiosa e a erosão das capacidades profissionais. Além disso, para um jovem, experimentar o desemprego nos primeiros anos de carreira, pode ter consequências em seu salário e enfraquecer suas perspectivas de renda, ainda décadas mais tarde”.


Nas economias avançadas, o número de NEET – jovens que não trabalham nem estudam, conhecidos como ni-ni em países de língua hispânica – está aumentando e se situa em uma relação de um a seis. Estes jovens estão em perigo, o de serem excluídos do mercado laboral e social.


Os desajustes profissionais e a inadequação das qualificação, que também estão aumentando, colocam em perigo as políticas dirigidas a requalificar os trabalhadores através da colaboração com o setor privado. Os jovens mais vulneráveis ao desajuste profissional incluem, particularmente, as mulheres que já tenham sido desempregadas.


“É provável que estas consequências se agravem, enquanto mais se prolongue a crise do desemprego juvenil e acarretará um custo econômico e social – um aumento da pobreza e um crescimento mais lento – que superará amplamente o custo da inatividade”, assinalou Salazar-Xirinachs.

 


Ação específica
O relatório pede aos governos que empreendam ações imediatas e específicas destinadas a combater a crise do emprego juvenil. Também convocação à ação concertada entre as organizações de empregadores e de trabalhadores.


Destaca que não existe uma solução “única para todos”, mas assinala que as principais áreas políticas identificadas no Chamado à Ação da OIT, de junho de 2012, constituem um marco global que pode ser adaptado às circunstâncias nacionais e locais.

 


O informe exorta:


·         Favorecer um crescimento com alto coeficiente de emprego e a criação de trabalho decente através de políticas macroeconômicas, empregabilidade, políticas de mercado de trabalho e direitos dos jovens para enfrentar as consequências sociais da crise e ao mesmo tempo garantir a sustentabilidade financeira e orçamentária.


·         As medidas integrais dirigidas aos jovens desfavorecidos nas economias avançadas que registram altos níveis de desemprego juvenil. Estas dizem respeito à educação, à formação, à experiência laboral e aos incentivos à contratação de jovens para os potenciais empregadores.


·         As estratégias e os programas integrados em favor do emprego e dos meios de subsistência dos países em desenvolvimento, incluindo cursos de alfabetização, formação profissional e desenvolvimento da iniciativa empresarial e apoio às empresas.



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