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Jovens não conseguem acumular patrimônio nos EUA

 

Turbulência no setor imobiliário, desemprego maior e dívidas de crédito estudantil pressionam nova geração

DO "NEW YORK TIMES"

Pearl Brady tem um emprego estável, com benefícios generosos, e dois diplomas, de graduação e mestrado. Mas apesar de todo o seu esforço, não conseguiu economizar dinheiro algum e se preocupa com a possibilidade de só conseguir economizar para uma casa, filhos e uma futura aposentadoria dentro de alguns anos.

"Estou na categoria das pessoas altamente preocupadas", diz Brady, 28, que vive em Brooklyn e trabalha para um sindicato. Brady tem muita companhia. Um novo estudo do Urban Institute constatou que pessoas com até 40 anos de idade nos Estados Unidos acumularam menos patrimônio que seus pais detinham, com a mesma idade, ainda que o patrimônio médio dos norte-americanos tenha dobrado ao longo dos últimos 25 anos.

"Neste país, a expectativa é de que cada geração se saia melhor do que a geração que a precedeu", diz Caroline Radcliffe, uma das autoras do estudo. "Mas já não é esse o caso. A geração atual pode ter menos que a precedente." Os autores afirmam que a situação que dos jovens norte-americanos talvez não tenha precedentes.

Diversos fatores econômicos conspiraram para restringir a capacidade de acumular patrimônio dos jovens trabalhadores norte-americanos. Eles enfrentam estagnação salarial --a renda pessoal média, ajustada pela inflação, vem caindo no país desde o pico atingido em 1999-- e além disso sofrem com o colapso do mercado de habitação e a disparada nas dívidas de crédito estudantil.

Chuck Ross, 31, tem mestrado em economia e em dado momento havia conseguido acumular economias de US$ 12 mil com suas transações de investimento.

Mas ele vive em Wichita, Kansas, onde os empregos em seu ramo são raros. Ross trabalha para uma grande cadeia de restaurantes e tem US$ 40 mil em crédito estudantil para pagar.

"Meu pai trabalha como autônomo", ele diz, "e sempre brinca dizendo que por isso terá de trabalhar até morrer. Nós rimos, mas no meu caso essa possibilidade vem se tornando mais concreta".

Outros entrevistados contam que gastaram suas economias pagando a entrada de uma casa, mas não conseguiram manter as prestações em dia, ou revelam dificuldades para cobrir o custo das creches de seus filhos.

Um crescimento forte e sustentado do nível de emprego e dos salários curaria muitos dos problemas que os trabalhadores mais jovens enfrentam, dizem os especialistas.

Várias adversidades de abateram sobre os jovens trabalhadores dos Estados Unidos. Uma dessas é o colapso da bolha da habitação. Oss que compraram casas quando os preços começaram a cair, em 2006, em muitos casos têm dívidas hipotecárias superiores ao valor de mercado de suas casas.

E agora que os preços caíram acentuadamente e as taxas de juros são notavelmente baixas, muitos ficam excluídos do mercado de imóveis porque os padrões de crédito são mais severos.

Um estudo do Pew Research Center com dados do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) constatou que 40% dos domicílios relativamente jovens ainda tinham dívidas de crédito estudantil pendentes em 2010, ante 34% em 2007.

O saldo devedor médio dos domicílios com dívidas de crédito estudantil era de mais de US$ 13 mil.

Por fim, e talvez o mais importante, os trabalhadores jovens estão enfrentando um mercado de trabalho brutal há cinco anos. O índice de desemprego é de 7,8% para os trabalhadores dos 25 aos 34 anos, e superou os 10% por mais de um ano durante a recessão e nos estágios iniciais da recuperação. Para os trabalhadores dos 45 aos 54 anos, o índice de desemprego é de 5,5%, depois do pico de 8% atingido em 2010.

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