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Jovens empreendedores pertencem à classe média

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular mostrou que 22 milhões de brasileiros entre 16 e 24 anos desejam abrir um negócio próprio. Atualmente, no Brasil, há 1,5 milhão de jovens empreendedores. Mais da metade deles pertence à nova classe média brasileira, chegando a 52,6% do total. A maioria, 36%, está no Nordeste. Em seguida vem o Sudeste, com 29%, e o Sul, com 16%. 

Entre os que desejam abrir um negócio próprio em algum momento da vida, 58,5% são mulheres e 60,5% do total de jovens são da classe média. As principais vantagens apontadas pelos entrevistados para trocar de emprego por um negócio próprio é fazer o que gosta (46,4%). Outros acreditam que um negócio próprio vai proporcionar maiores ganhos (22,1%), enquanto 15,1% dos entrevistados querem trabalhar por conta própria para ter liberdade de horário e não ter chefe (12,1%). A pesquisa teve a participação de mais de 2 mil entrevistados em todos os estados brasileiros. 

O sócio-diretor do Data Popular, Wagner Sarnelli, disse que, em um primeiro momento, os jovens queriam ter a carteira assinada. Depois que o Brasil atingiu, de certo modo, um estágio de "pleno emprego", a maior ambição da juventude tornou-se ter o próprio negócio e não depender de emprego. 

Segundo ele, o que tem crescido muito é o chamado comércio de vizinhança. Com isso, as pessoas têm saído cada vez menos dos seus próprios bairros para as regiões centrais da cidade para fazer compras. "Os próprios moradores começam a investir no comércio local", justificou. Sarnelli destacou que os jovens empreendedores geralmente costumam trabalhar mais do que quando são empregados, no entanto, com mais satisfação e rendimento maior.

Ele considera o número de jovens empreendedores atual, 1,5 milhão, baixo. Mas explica que é reflexo ainda de uma economia que tinha inflação e desemprego altos. Agora, a inflação está mais controlada e o volume de empregos também evoluiu. "Os jovens vão empreender muito nos próximos anos", declarou Sarnelli, sem arriscar uma estimativa. Ele enfatizou que esta geração é mais audaciosa, menos medrosa, estudou mais e tem um volume de informação maior devido ao uso da internet. 

Os segmentos que os jovens mais têm optado para abrir um negócio são fast food, restaurantes, entretenimento, academias de ginástica, salão de beleza, perfumaria e o mercado digital. Também são muito procuradas franquias de baixo valor, entre R$ 5 mil e R$ 15 mil, como lavanderias e cursos de línguas. 

Segundo ele, o volume maior de empreendedores está no Nordeste porque houve muito investimento de indústrias naquela região nos últimos anos. Além disso, a classe C passou de 23% da população naquele local para 45% entre 2002 e 2012. 

O sócio-diretor do Data Popular explicou ainda que as mulheres lideram entre os empreendedores porque são mais audaciosas. Além disso, trabalham e estudam mais. "As mulheres estão tomando atitudes que o homem não está acompanhando", analisou. A predominância da classe média também pode ser explicada porque esta camada da população teve uma melhora significativa na renda nos últimos anos. 

Ele acredita que a tendência é que os empreendedores montem negócios no local onde vivem, onde têm família e amigos. "Isso é venda garantida", afirmou. Conforme Sarnelli, teoricamente, o País está voltando para o negócio antigo, com um certo "bairrismo". "Quem tem que se preocupar agora são os grandes grupos", alertou.

 

 

Fonte: Folha de Londrina, 04 de fevereiro de 2013


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