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Seu emprego está ameaçado pelas máquinas? Especialistas indicam quais são as áreas de risco

O Fórum Econômico Mundial, em janeiro deste ano, deu o pontapé inicial na discussão: cinco milhões de empregos serão perdidos nos próximos cinco anos com a tecnologia avançando nas fábricas, a chamada Indústria 4.0. Para um grupo de especialistas que são referências mundiais em inteligência artificial (IA) -- campo que estuda robótica, softwares inteligentes e afins -- não para por aí. Profissões que exigem habilidades cognitivas (aquelas que pensávamos estar restritas aos humanos, como a capacidade de interpretação de um advogado) também estão ameaçadas no longo prazo. Mas isso não é necessariamente ruim.


A constatação faz parte do primeiro relatório do projeto “Cem Anos de Estudo em Inteligência Artificial (AI100)”, da Stanford University, dos Estados Unidos – uma iniciativa ousada que pretende acompanhar a evolução destas novas tecnologias pelo próximo centenário. O documento, divulgado no início do mês, traça um panorama de como a vida já foi afetada e como tende a ser no futuro próximo.


Mas, afinal, o seu emprego será tomado por uma máquina? Os cientistas são taxativos: muitas tarefas serão eliminadas, mas isso pode ser muito mais uma oportunidade do que motivo de puro desespero. Entenda os principais pontos:



Quem já foi afetado?


De acordo com o relatório, a tecnologia já ocupou o emprego, sobretudo, de “trabalhadores com qualificação média, como agentes de viagens, mais do que daqueles com alta ou baixa qualificações”. Para os autores, a tecnologia, hoje, é capaz de desempenhar bem funções que exigem “rotina” [linhas de montagem e fábricas, por exemplo].



Quem ainda vai ser afetado e em quanto tempo?


“O espectro de tarefas desempenhadas pelos sistemas digitais está se ampliando na medida em que a inteligência artificial se desenvolve, o que provavelmente irá ampliar o conceito do que é rotina”, defendem os autores. Para eles, logo a inteligência artificial será capaz de realizar serviços que historicamente nunca foram feitos por máquinas [é o caso dos veículos sem motoristas, aparentemente apenas uma questão de tempo].


Para os especialistas, as mudanças se darão de forma gradual. “A maior parte do trabalho de um advogado ainda não é automatizada. Mas a inteligência artificial, quando usada na extração e análise de informação jurídica, substitui boa parte do trabalho de um advogado recém-formado”, exemplifica o documento.


Em um futuro não muito distante, uma diversificada gama de empregados , “de radiologistas a motoristas de caminhão, passando por jardineiros”, será afetada.



As profissões com habilidades cognitivas estão a salvo?


Habilidades cognitivas são aquelas que exigem, de forma simplificada, mais criatividade do que conhecimento estritamente técnico, como o trabalho de um publicitário. Para os especialistas, a tecnologia não invadirá tais campos tão rapidamente. “Há medo de alguns setores de que os avanços da inteligência artificial sejam tão rápidos que possam substituir todos os postos de trabalho – inclusive naquelas profissões com capacidades cognitivas ou que exijam julgamento -- em apenas uma geração. Este cenário súbito é altamente improvável”, diz o relatório.


Apesar disso, o documento descreve que a IA irá “gradualmente invadir quase todos os setores de emprego, exigindo uma mudança do trabalho humano”.



As empresas vão ‘encolher’?


Com estrutura automatizada, é natural que as empresas não tenham mais estruturas imensas. “Com a IA assumindo muitas das funções, não será preciso grandes organizações”. Isso explica porque, segundo o relatório, já existam empresa de alto perfil com um pequeno número de funcionários.


Além disso, a localização da força de trabalho será menos restrita, sem implicar em perda de qualidade.
Qual será o efeito de tudo isso?


Estas mudanças vão exigir ações políticas responsivas de segurança social capazes de proteger as pessoas da ruptura econômica. “Com políticas atenuantes ausentes, os beneficiários dessas mudanças podem ser somente um pequeno grupo no topo da pirâmide social”, defende o relatório.


Uma das soluções sociais a longo prazo é criar uma renda básica aos que estiverem fora do mercado de trabalho -- países como a Suíça e a Finlândia já pensam em tais medidas. “Como as crianças nas sociedades tradicionais apoiam financeiramente seus pais, talvez nossos “filhos” artificialmente inteligentes devam nos ajudar, os “pais” da sua inteligência”, dizem os especialistas.


Isso é ruim?


“Embora o trabalho tenha seu valor intrínseco, a maior parte das pessoas trabalha para poder adquirir bens e serviços que precisam. Como os sistemas de IA executam o trabalho anteriormente incumbido ao humano, eles podem diminuir o custo de muitos produtos e serviços, tornando efetivamente todos mais ricos”, dizem os autores. “Mas, como mostram os debates políticos, a perda de emprego chama mais atenção das pessoas – especialmente as afetadas diretamente – do que difundir ganhos econômicos, e a IA, infelizmente, é muitas vezes enquadrada como uma ameaça aos empregos, em vez de uma bênção para os padrões de vida”, conclui.



Estudo de cem anos


O AI 100 é uma das iniciativas mais importantes de estudo da inteligência artificial. O projeto é coordenado pelo cientista da computação Eric Horovitz, ex-presidente da Associação para Avanços da Inteligência Artificial, e pelo bioengenheiro e cientista da computação Russ Altman. Ambos são professores da Stanford University.


Para elaborar o relatório, os pesquisadores contaram com um painel de estudiosos de novas tecnologias, como Erik Brynjolfsson, do MIT; David Parkes, de Harvard, e Oren Etzioni, do Allen Institute.


O grupo se renovará pelos próximos anos, elaborando relatórios a cada meia década. O projeto está previsto para durar cem anos.



Fonte: Gazeta do Povo, 14 de setembro de 2016.

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